domingo, 21 de dezembro de 2008

Desaforo

Eu não tenho culpa das pessoas nem sempre responderem aquilo que eu pergunto.

Mas um dos meus papéis é o de perguntar, nem que seja para gravar uma resposta "genérica", pra não dizer "canalha".

E muitas vezes, para consegui-las, é preciso encarar coisas do arco da velha, como pães e circos dominicais, em meio a uma bagunça infernal, regada a histeria coletiva sem limites, em que mães usam crianças que mal falam para tentar chegar perto dos ídolos.

Pois foi nesse cenário que tentei fazer uma entrevista.

Não deu certo na primeira tentativa. Acostumado, parti para a segunda. Entre elas, uma bronca por ter "tentado furar os outros veículos".

Como se a culpa da bagunça e da lerdeza alheia fossem minhas.

Mesmo assim, a segunda chance veio. E em seguida, a pergunta sobre política, com a mesma resposta usual. Mas como nas reportagens o usual costuma ser necessário, gravei.

Depois fiquei no movimento, observando.

Até que um assessor, bem intencionado e solicito, me ameaçou "informativamente" e disse que poderia colocar dois seguranças atrás de mim, já que insistia em perguntas que o entrevistado não estava a fim de responder.

Na hora dei um sorriso e pedi três. De quebra, ouvi que ele colaborava com todo mundo e que eu tinha que colaborar também. Mais uma vez, dei outro sorriso. Por dentro eu gargalhava e pensava: grande audácia. Para não dizer covardia.

Mas o que vi foi um desaforo. Desses que acham que pautas devem ser cumpridas para Joelma e Chimbinha.

Um comentário:

Fagner disse...

Cite nomes Benia. Inclusive do assessor solícito!