domingo, 21 de dezembro de 2008

Breve constatação de 2008


Descobri que meus dias tendem a começar melhores quando dou de cara com a minha cozinha limpa.

Barbaridade!

Desaforo

Eu não tenho culpa das pessoas nem sempre responderem aquilo que eu pergunto.

Mas um dos meus papéis é o de perguntar, nem que seja para gravar uma resposta "genérica", pra não dizer "canalha".

E muitas vezes, para consegui-las, é preciso encarar coisas do arco da velha, como pães e circos dominicais, em meio a uma bagunça infernal, regada a histeria coletiva sem limites, em que mães usam crianças que mal falam para tentar chegar perto dos ídolos.

Pois foi nesse cenário que tentei fazer uma entrevista.

Não deu certo na primeira tentativa. Acostumado, parti para a segunda. Entre elas, uma bronca por ter "tentado furar os outros veículos".

Como se a culpa da bagunça e da lerdeza alheia fossem minhas.

Mesmo assim, a segunda chance veio. E em seguida, a pergunta sobre política, com a mesma resposta usual. Mas como nas reportagens o usual costuma ser necessário, gravei.

Depois fiquei no movimento, observando.

Até que um assessor, bem intencionado e solicito, me ameaçou "informativamente" e disse que poderia colocar dois seguranças atrás de mim, já que insistia em perguntas que o entrevistado não estava a fim de responder.

Na hora dei um sorriso e pedi três. De quebra, ouvi que ele colaborava com todo mundo e que eu tinha que colaborar também. Mais uma vez, dei outro sorriso. Por dentro eu gargalhava e pensava: grande audácia. Para não dizer covardia.

Mas o que vi foi um desaforo. Desses que acham que pautas devem ser cumpridas para Joelma e Chimbinha.

Quando você pensa que aconteceu de tudo - Aliança FC

Em 2006, mais experiente e já uma referência para o time, uma surpresa muda a vida da zagueira do Aliança. Uma gravidez, no começo do ano, faz com que as metas de preocupações tenham que ser revistas. No início, ela tentou adiar a notícia. Quando passava mal, a explicação era uma gastrite. A mãe retrucava, desconfiada, dizendo que era uma “gastrite de perninha”. Tudo isso em meio ao abandono do namorado, que sumiu ao saber da gravidez. Dele a futura mamãe contou apenas que era um tatuador e que em 2008 eles devem ter uma audiência na Justiça para definir pensão alimentícia.

A barriga crescente permitiu que Patrícia defendesse a equipe até os três meses de gestação. Depois, à distância, era preciso cuidar da filha, que nasceu no dia 1º de outubro, depois de uma aventura épica. Depois de duas horas e meia de parto normal, Paola precisou de oxigenação. “Passei a noite conferindo a respiração da neném”, lembra a mamãe, que depois do nascimento da filha ainda precisou fazer mais força. É que a placenta tinha grudado no útero.

sábado, 20 de dezembro de 2008

Não tão fácil quanto parece - Aliança FC

Lá, no entanto, as promessas não foram tão condizentes com a realidade. Morando em uma república, Patrícia e Mar Selly viviam de treinar e estudar. Só que a alimentação era basicamente ovo, arroz e feijão. “Não comia carne”, diz aos risos, hoje. Mesmo com a alimentação desequilibrada, ela garante que chegou aos 64 quilos de massa muscular, depois de muito esforço físico nos treinos, que lhe renderam um estiramento na coxa direita.

Foi preciso ficar um mês de molho. Patrícia então veio para Goiânia. A família, preocupada, aconselhava a filha a retornar, a buscar atividades seguras. Mas o idealismo da zagueira, na defensiva, a fez voltar. No retorno, uma infeliz coincidência. Em 2004 o time, foi desfeito. Com uma crise financeira, os salários dos funcionários não foram mais pagos e o clube acabou fechando as portas.

De volta a Goiânia, o apoio da família e do Aliança foram fundamentais. Patrícia recorda que Luiz Cezar ficou um pouco chateado com a maneira como ela trocou de cores. “Ele achava que a gente tinha abandonado o time, mas depois viu que precisava da gente. Na verdade ele quis, no bom sentido, que a gente quebrasse a cara”, lembra a jogadora, que hoje reconhece o pressentimento dos pais. “Eles diziam que estava fácil demais”.

Muitas voltas em pouco tempo - Aliança FC

O empenho e a “raça”, com uma coincidência muito inesperada levaram a zagueira goiana ao auge de sua trajetória no esporte. O técnico Paulo Gonçalves, que era de Goiânia, comandava a seleção brasileira de futebol feminino. E para acertar o time que iria às Olimpíadas de Sydney, em 2000, ele convocou jogadoras de vários estados. Um delas foi Patrícia. A convocação foi informada por Luiz Cezar, na escola da jogadora. Difícil foi segurar a euforia. “Eu queria contar, mas não podia, já que não era certeza que a gente ia treinar em Teresópolis. Só que eu ligava para as minhas amigas e perguntava se elas estavam bem. Aí elas perceberam que tinha algo”, recorda Patrícia, que depois embarcou pela primeira vez em um avião e foi para na Granja Comary, onde fez jogos-treinos com times de base do Flamengo e Vasco.

A estada no Centro de Treinamento da Confederação Brasileira de Futebol durou um mês, que foram bem aproveitados até surgir uma lesão no tornozelo. Um acidente de trabalho, mas que a tirou do time.

De volta a Goiânia, era preciso retornar ao cotidiano, que misturava futebol, aulas e a ajuda no comércio da família. No supermercado Oriente, que hoje é um dos poucos que vende secos e molhados, como informa a mensagem do muro, Patrícia volta a ser a filha de Manoel Pereira dos Santos e Teresa Alves dos Santos, ajudando-os nas entregas da panificadora. Para isso ela levanta às quatro da manha, para que no máximo até 6h20 o pão esteja pronto e possa ser entregue em outros estabelecimentos. Depois o tempo era dividido entre o estudo e o futebol.

Até que um dia o Juventude, de São José do Rio Preto, convidou Patrícia e a colega, Mar Selly, para jogar em campos paulistas. A proposta era irrecusável. Jogar numa equipe estruturada e com uma bolsa na faculdade de Educação Física da Unirp a levou, em 2003, junto com a amiga, para a aventura fora de Goiânia.

Promessas

Acho que descaracterizei esse blog porque, por alguns dias, considerei que a mudança de emprego meu deu novos ares para trabalhar, escrever, reportar.

Mas é bom sempre dar uma renovada nesses ares.

Por esse motivo pretendo voltar a contar mais histórias.

PS: Agora que fui ver que passei de mil visitas. É algo a se comemorar!