quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Chuvas em Goiânia


Essa foto é da rua Emílo Póvoa, no Jardim Megale, em Goiânia. Emílo Póvoa, só para registrar, foi desembargador e presidente, na década de 1920, do antigo Superior Tribunal de Justiça de Goiás, atual Tribunal de Justiça de Goiás.

A "vista" acima é de um resto de alvenaria de uma casa, que foi destruída por estar em uma área de risco da capital. Mas atrás dela ainda existem outras casas. E outras centenas de moradores.

O detalhe curioso é que várias dessas residências tinham adesivos de vereadores nas portas, numa clara demonstração de que um voto é uma demonstração de esperança.

Mas vi que essa esperança é vazia. Uma senhora, por exemplo, garantiu que votou em Iris Rezende em todas as eleições que o prefeito disputou. Sempre com o pensamento de que ele a tiraria de lá. Hoje, em meio ao cheiro de esgoto, ela diz estar triste com o peemedebista.

Enquanto lamenta a decepção com os candidatos que já passaram por lá fanzedo campanha, ela conta que parou de trabalhar para cuidar dos filhos e dos netos.

O motivo é a chuva, que aumenta o volume de água nos córregos Capim Puba e Botafogo. E a criançada vai lá espiar a correnteza e jogar uma pedrinha na água, que é levada num passe de mágica. Sei como é isso. Já joguei galho de árvore em rio apenas para vê-lo sumir.

O problema é que caa vez mais a gente quer chegar perto. E é nessas horas que a água vem e pode dar um caixote. Sim, caixote também pode vir no rio e não só no mar.

Isso sem falar na falta de árvores, que aumenta a erosão. E vai levando o barranco. E faz com que a casa seja destruída. E aí resta ao repórter fazer matéria, num misto de exploração do sofrimento alheio e de preocupação social, já que infelizmente esse pessoal rende pauta mais quente quando chove.

Mas eles têm sua parcela de culpa, já que os adesivos de campanhas mostram que preferem palavras de eleição e não cobram atos de governo.

Foto: Tiago Bênia

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Coisa do povo


O Aliança empatou por 3 a 3 com o Cresspom (DF) e se classificou para a segunda fase da Copa do Brasil de Futebol Feminino. No primeiro jogo, em Brasília, as goianas venceram por 2 a 0.

Agora as meninas treinadas por Luiz Cezar vão enfrentar o time das Moreninhas.

O primeiro jogo será em Campo Grande, na próxima terça-feira.

Já a partida de volta será no dia 15, um sábado. É o dia da proclamação da república.

República vem do latim res publica e significa coisa do povo.

Por esse motivo, quem gosta de esporte deve tomar parte nessa coisa e torcer pelas meninas do Aliança, principalmente os moradores de Campinas, já que o jogo será no Estádio Antônio Accioly, às 17 horas.

Este blog, que publica em capítulos a história do Aliança, deixa aqui os parabéns às meninas e à comissão técnica, que terão um novo desafio pela frente!

Foto: Divulgação / Aliança FC

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Identificação - Aliança FC

A garota estava se acostumando ao esporte e aos poucos se identificava, para a preocupação dos pais, que não gostavam de imaginar a filha como jogadora. Apesar disso, eles não proibiram. Com essa liberdade, surgiu o convite para treinar com o Aliança, no campo de areia, num parque ao lado do zoológico de Goiânia. “Eu não queria ir, achava que era difícil”, lembra Patrícia. O motivo? O próprio clube. “Sempre sonhava em jogar lá. Via o Aliança no jornal e pensava se não ia jogar no time delas”.


Ela então foi ao treino e seu o desempenho agradou ao técnico Luiz Cezar, que no mesmo dia foi à casa dos pais de Patrícia para pegar a autorização, por escrito, para que ela defendesse o time.


Com quase 14 anos, ela disputou seu primeiro campeonato estadual, em 1998, quando a equipe foi campeã. Naquele tempo, Patrícia era lateral infantil, mas seu futebol aparecia no juvenil e no adulto. Com a satisfação de quem realiza um sonho, 15 anos ela já era titular do time principal. “Sempre procurei ajudar o time e me considero até hoje uma jogadora raçuda”, afirma a atual capitã.

Ótimo texto num ótimo blog

O texto abaixo é um orgulho para mim. Além de ter sido escrito pela Raquel, é de uma perspicácia fantástica.

Digo mais: esse texto de blog é melhor que muito ensaio e artigo de jornal que saem por aí.

Não deixe de ler.

E não deixe de comentar no blog Nada Por Dizer!

Os anos se passaram... e eu ainda não aprendi a fazer arroz!!


O padre, a quem fiz minha primeira e única confissão religiosa na época da catequese, bem que me alertou: “Minha filha, você é uma mulher! Mulheres devem aprender a cozinhar, a bordar, a tocar piano...Mulheres devem aprender os afazeres de um lar!”. Talvez eu tenha me afastado da Igreja (no sentido restrito e no sentido amplo do termo) porque aquela definição do padre nada tinha a ver comigo. O que não me impedia de ter a noção, desde aquela época, que a minha principal missão no mundo era saber ser mulher.

Hoje, percebo que o padre não estava tão descontextualizado quanto julguei. Aliás, a que estava fora do contexto era eu! E ainda estou, mas dessa vez não me silenciarei diante das inquietações que a questão causa.

Escreverei aqui, brevemente, sobre as quatro mais recorrentes instruções atuais sobre o que é ser mulher na sociedade contemporânea e as suas (in)conseqüentes confusões:

1ª- A mulher deve ser independente: frase que escuto desde criança, herança da crise aguda (redundância necessária!) do feminismo. A mulher deve se formar intelectualmente, de modo a não depender de mais ninguém, em nenhum aspecto. Antítese compreensível para aquele momento histórico, em que a tese era a de que a mulher devia ser submissa ao homem. Ressalto que, entretanto, a síntese de tal relação dialética ficou por vir. E o título de mulher-plenitude não pôde ser encontrado nas super poderosas, porém carentes representantes deste modelo de feminilidade.

2°- A mulher deve se casar: por mais contraditório que possa parecer, é a frase da moda, em pleno século XXI. Assustadas com o excesso de independência da geração anterior, naturalmente confundido como fracasso emocional, as mulheres jovens da atualidade sentem medo de se tornarem “a solteirona” da turma, “a encalhada”. As festas de casamento passaram a ter força equivalente ou até superior à união em si, tornando-se cerimônias de “atestado de competência feminina”. As noivas, orgulhosas de si, arremessam seus simbólicos buquês às não-ainda-mulheres, as solteiras. Momento de glória às vitoriosas recém-casadas! Entretanto, a festa acaba, bem como a ilusória plenitude feminina. E a sensação de quase-mulher volta, até...

3°- A mulher deve ter filhos: ...até o momento em que ser mãe se torna função pré-requisito para a aquisição do título de mulher. As quase-mulheres perseguem aquele antigo sonho de ter filhos, na sua busca incessante pelo tal atestado de competência feminina. Este momento é pesado para todas, mas para as casadas a cobrança é ainda maior. E pobre daquela que ousa confessar não sentir vontade de levar a família adiante! Esta é a quase-mulher mais distante de adquirir o seu título, aos olhos da sociedade.

4° - A mulher deve ser a matriarca: merecem parabéns as quase-mulheres que chegaram neste ponto! Foram esposas, foram mães, foram avós...mas não obtiveram o almejado título de mulheres-plenas, pois não foram independentes!

E a pergunta que fica sem respostas: quem merece de fato o título de mulher, com toda a sua plenitude? Ninguém? Ou todas?

Penso que não se trata de título. Também não se trata de funções exercidas. O apaziguamento com o nome “mulher” e todas as suas implicações deve advir da simplicidade quase inalcançável de se conseguir ser quem se é, de se seguir o próprio desejo e ir adiante, seja lá para onde isso levar.

Enquanto também não sei bem o que fazer com isso, quem sabe não me dedico à aprendizagem de como se fazer um bom arroz!!