domingo, 19 de outubro de 2008

Pés no chão - Aliança FC

Mãe e filha praticamente não se desgrudam. Em casa, quando Patrícia não está no trabalho ou no curso técnico em segurança do trabalho, no Senac, as duas estão sempre coladas. Nas entrevistas, por exemplo, foram poucos os momentos em que a pequena não mostrava uma foto ou apontava a mãe nos recortes de jornal. Pela idade, Paola não tem noção que as imagens e medalhas são frutos simbólicos, mas não menos significativos, do caminho trilhado pela mãe no futebol feminino.

O começo foi aos 13 anos. Acostumada a jogar bola na rua de casa com o irmão e alguns amigos, Patrícia foi ao ginásio público do Balneário Meia Ponte, bairro onde ela mora, na região norte de Goiânia. Na quadra de futsal, descalça, ela chamou a atenção de um senhor. Era Almir Macedo, um dos pioneiros do futebol feminino em Goiás. Na época ele estava no Vila Nova e para lá foi a menina Patrícia.

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Camisa 3 - Aliança FC


E dentro das quatro linhas, a referência, a “filha” mais velha, é Patrícia Pereira dos Santos. Dos seus 25 anos, 11 foram com a camisa do Aliança. Atualmente ela é a capitã do time. Zagueira, ela veste a camisa 3. Como o número, ela também é uma jogadora ímpar.


Com um biótipo magro, “das pernas finas”, como ela se auto-define, Patrícia é uma mulher que antes de se vestir não aparenta ser jogadora de futebol. O saião rodado, usado freqüentemente, e os cabelos coloridos de roxo, sem falar no sol tatuado nas costas, destacam Patrícia no grupo, antes dela e das colegas vestirem o uniforme. O visual, entre o hippie e o feminino, tem outro detalhe que a acentua ainda mais seu diferencial – a filha Paola, de quase dois anos, que está sempre nos treinos e na maioria das partidas disputadas.

Foto: Patrícia e Paola / Tiago Bênia (02.07.08)

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Convívio e personalidade - Aliança FC

Conforme prometido, retomo os capítulos do Aliança, time de futebol feminino que foi tema do meu trabalho de conclusão de curso em Jornalismo Literário.



Por essas e outras é que o casal não se preocupa muito com o que pensam e o que falam deles em corredores de federação e encontro de dirigentes. “Quem tem que gostar de mim é a minha família”, resume o pai de Ana Júlia, Juliana e Fabiana, casado com Patrícia há 18 anos e que dirige, em todos os sentidos, uma família chamada Aliança, que, aliás, já é considerada grande demais para ficar restrita ao sobrado do Gentil Meirelles. “Tá ficando muito grande para nós. Por isso temos que correr atrás de parceiros”. Mas as dificuldades não freiam o Aliança. “Enquanto tiver tocando com dignidade, com respeito, motivado e valendo a pena, a gente continua”. E o ânimo vem de um grupo com 70 jogadoras, que Patrícia define bem. “Acaba que vira uma família com algumas jogadoras. A gente vive com elas”.

De volta (de verdade)

Hoje de manhã eu fui ao Jardim Curitiba I para visitar o Conselho Tutelar da Região Noroeste. Depois de circular pelas ruas de Goiânia para informar sobre o trânsito da capital, cheguei ao local da pauta.

Fui informado de que havia um protesto da população, mas ao chegar lá vi que alguns estudantes estavam no prédio do conselho para dar um abraço simbólico no local.

O motivo: a falta de estrutura para que os conselheiros tutelares pudessem atender a região.

Segundo o presidente Pedro Carlos Dias Silva, eles não têm carro e dividem um espaço com um posto de atendimento do Banco do Povo. Depois, ele se queixou da qualidade do local.

Uns passos e alguma curiosidade depois, vi que realmente o espaço é dividido com o órgão de fomento da economia municipal, bem diferente do que a Secretaria de Assistência Social insistia em repetir para convencer os ouvintes da CBN.

Na entrevista, a secretaria atacou o trabalho dos conselheiros e os acusou de falta de capacidade. Infelizmente nesse aspecto eu não pude fazer checagem (neste dia, segunda), mas tendo a acreditar que sem carro e apoio de profissionais capacitados, fica complicado trabalhar lá.

Mas muitas vezes imagino que problemas desse tipo são culpa da própria população. Explico. Pelo que vi do "protesto", não havia mais nenhum outro morador do bairro ou da região. Curiosamente, a secretaria alega que já recebeu denúncias de "maus trabalhos" dos conselheiros.

Ora, se eles foram eleitos pela comunidade, porque não há uma fiscalização com relação ao trabalho no Conselho? E mais: se quem está ali foi votado pelos moradores, porque todos (votados e votantes) não fizeram um abraço maior para cobrar a prefeitura?

Nessas horas vejo que o jornalismo de declaração ainda tende a iludir muita gente. Ainda bem que a checagem foi feita. Reconheço que foi pouco, mas serviu para mostrar que a Secretaria de Assistência Social tentava ludibriar ouvintes. E também foi útil para dar um exemplo de que a população às vezes não usa o poder que tem.