sábado, 16 de agosto de 2008

O ouro de Cielo e o olho dos oportunistas


César Cielo foi uma grata surpresa. Daquelas que dão gosto ao ver no noticiário, afinal é bom ver que um atleta olímpico surpreendeu todo mundo - até quem é do Brasil - e conseguiu uma medalha de ouro na Olimpíada de Pequim.

O significado da marca é muito extenso. Coloca o Brasil como possível potência na natação, mas ao mesmo tempo nos levanta uma pergunta: Como ele conseguiu?

Cielo foi um atleta esforçado. Na mesma toada da maioria dos brasileiros, que não têm um patrocinador fixo, o nadador conseguiu o maior objetivo - o ouro olímpico, apesar de que para alguns, o primeiro lugar, sem o recorde, não tem sido tão gratificante.

Mas para o Brasil foi. E para o Cesão, como é chamado, nem é preciso mais comentários.

A medalha de Cielo reforça as chances do Brasil, que podem ser melhor aproveitadas. E isso passa não pelo investimento isolado, como no caso do brasileiro, que foi para os EUA bancado pelos pais para alcançar o sonho de ser campeão olímpico.

O melhor caminho seria o investimento em infra-estrutura, como o próprio Cielo sugeriu ao repórter Bruno Doro, do Uol. Até porque, ele e outros nadadores já provaram que o potencial humano verde amarelo também é muito bom.

O grande temor é que esse resultado deve ser usado por confederação e comitê olímpico oportunistas, que já gastaram R$ 4 bilhões em um Pan-americano e tem liberados R$ 89,95 milhões para promover a Olimpíada de 2016, no Rio, além de alugar uma casa para divulgar os feitos brasileiros em tom de patriotada, como se têm visto no noticiário.

De forma alguma quero desmerecer a conquista de Cielo. Pelo contrário. Há muito tempo atrás, quando era um amador na natação, venci duas provas em Goiânia que me deram uma baita alegria. O que dizer então de um ouro olímpico?

O que preocupa mesmo é ver dirigentes e até mesmo noticiário se aproveitando de uma conquista literalmente heróica para promover o Brasil, mostrar que o esporte é bem tratado no país. Mas quando lembro de obras inacabadas, como o Centro de Excelência do Esporte, aqui em Goiânia, fico com vergonha de ver COB e CBDA pegarem carona em quem já superou outros sete nadadores no Cubo D'Água e tantas outras dificuldades para voltar com um sonho realizado de Beijing.

Ao mesmo tempo, também penso também que o desprendimento de César Cielo, que foi embora do país para treinar, poderia ser revertido se mais Centros de Excelência estivessem prontos, o que faria com que ele e outros nadadores não precisassem sair do Brasil para terem a preparação que merecem.

De qualquer forma, parabéns Cesão!

Foto: Jonne Roriz / AE

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