terça-feira, 26 de agosto de 2008

Depois da pausa, a volta

Foram cinco dias de viagem. Mas pelas contas turísticas, o tempo foi de 5 dias e 4 noites em Buenos Aires. De longe, esta foi a melhor viagem que já fiz.

Um passeio corriqueiro para muitos, mas marcante para mim. Primeiras férias no trabalho, primeira viagem (internacional) com a Raquel, primeira experiência de ter que me virar (em casal) num país estranho. Mas posso dizer que foi ótimo.

Descobri que a cidade é intensa e tradicionalista, com um apego ao passado que pode trazer ensinamentos. Um desses exemplos é o clima de museu na Recoleta, bairro que recebe um cemitério que, apesar de fúnebre, mostra pequenas lições em cada "panteón" onde estão os antepassados de muitos argentinos. Há até um túmulo-memorial em homenagem aos combatentes da Guerra do Paraguai (ou da Tríplice Aliança?). E com um detalhe: o senso de preservação é intenso. Tanto é que havia uma equipe de restauração da Universidad de Buenos Aires realinhando uma sepultura de um personagem histórico que agora me foge a cabeça.

Mas o principal impacto mesmo começou pela porta do aeroporto de Ezeiza. Sem frio, respondi a Raquel que estava tranqüilo. O problema é que na hora que a porta nos mostrou o que havia de fora, senti que a ceroula que estava na minha mala me faria pagar a língua. Era um dia de sol, por volta das 12 horas. E o termômetro marcava 13ºC.

No caminho, muito movimento na autopista em direção a Buenos Aires e um detalhe curioso: nos gramados largos, próximo à estrada, muitas famílias. Pais, mães e crianças montavam pique-niques e corriam com cachorros ou jogavam bola. Era uma cena curiosa em meio a uma sensação de presença brasileira, já que pelo caminho se viam muitos out-doors da Claro, carros como Gol, Fox e até Celtas (que por lá se chamam Suzuki Fun), sem falar que o carro que nos levava trazia no vidro o lembrete de que foi "fabricado no Brasil".

A intenção, no entanto, era nos desligarmos daqui. Era viver as melhores sensações que uma viagem à dois pode proporcionar. E descansar nossas cabeças, abaladas por preocupações com emprego, família, contas, moradia e etc.

Por isso nossa estratégia inicial era simples: tentar nos envolver com a cidade ao ponto de não parecermos tanto turistas. Por esse motivo caminhamos bastante e a única coisa que nos denunciava (visualmente) era o mapa que eu carregava. Mas quando ele ia para o bolso, ninguém vinha nos oferecer tour de compras, visitas a lojas de roupas de "cuero" ou shows mirabolantes de tango.

Ficávamos praticamente camuflados. Tá que pretendíamos comprar alguma coisa. Mas saímos daqui com a intenção de aproveitar a cidade não como um paraíso de sacolas cheias só porque nossa moeda é mais forte. A idéia era andar, ver, escutar, sentir e, é claro, comer bem.

Um comentário:

Rodrigo Alves disse...

Quanto mais cosmopolita a cidade, mais fácil de conseguir passar desapercebido. Mesmo assim vez ou outra é muito difícil não dar bandeira. Agora, vá para o interior de qualquer país para ver. Será praticamente impossível se passar por local, por mais que tenha características físicas parecidades com a população nativa.