quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Ensinando a jogar - Aliança FC

Dentro de campo, o treinador é auxiliado por Zezinho, um senhor baixinho, barrigudo, com cabelos e bigodes brancos e uma voz forte, que além de orientar posicionamento, é responsável pelo aquecimento das moças. Patrícia também costuma ir, mas no caso dela é preciso haver uma conciliação entre as atividades de mãe, dona de casa, esposa e professora de educação física na Escola Municipal Rui Barbosa. Quando dá certo, ela vai no outro carro, mas com um uniforme do Aliança e uma chuteira preta calçada.

Em campo, a orientação é complicada. “Nunca vi jogador de futebol que não balançasse a cabeça afirmativamente quando o técnico pergunta se entendeu. Depois eles vão e fazem tudo diferente. É preciso insistir e insistir”, escreveu Sérgio SantAnna, no conto Na boca do túnel. O mesmo, óbvio, ocorre com as meninas do Aliança. E em meio ao som de caminhões de lixo e algumas motos de motocross que passam bem próximos ao campo, Luiz Cezar e Zezinho gritam, berram, esgoelam para as meninas. “Acham que tão bem no adulto, mas não dão conta desses meninos do Goiás”, esbraveja Luiz Cezar. O recado tem direção – os pais corujas, que reclamaram das filhas estarem na reserva e que estavam num dos poucos bancos do campo, assistindo ao jogo-treino.

Nenhum comentário: