sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Comendo bem



A comida. Essa foi umas das principais características de Buenos Aires. Todos os dias, na hora do almoço ou na janta, eu e Raquel tínhamos dúvidas. Massa ou carne? Parrilla? Ou lanchinho rápido, num dos vários cafés espalhados pela cidade? A saída foi distribuir a alimentação de acordo com a caminhada.

Como andávamos em torno de 10 quilômetros por dia, tomávamos um café reforçado no hotel. A primeira refeição no Promenade não era um primor, mas gostosa para iniciar a trajetória de um casal que havia "comido pata de cachorro", como disse a Raquel, por várias vezes. Depois de perambular por parques, lojas e ruas, vinha a verdadeira dúvida: massa ou carne?

Nas duas opções tivemos boas e más surpresas. Na Recoleta, o restaurante La Strada nos deu o melhor nhoque da viagem, ao contrário do Il Buco, na 9 de julho, que foi careiro e nos serviu um prato que parecia massa semi-pronta da Yoki. Em relação às carnes, o La Cabaleriza teve um bife de Chorizo, mas foi caro em comparação ao Aires de Patagônia. Aliás, o Chorizo (que é uma carne suculenta, entre a picanha e a alcatra) foi bom até num fast-food regional, no Abasto Shoping.

A única falta que sentimos foi da salada. Lá, ela é um opcional aos pratos e não costuma ser muito diversificada. A mista, por exemplo, vem com alface, tomate e cebola. De qualquer forma, a idéia era experimentar novidades. E constatamos que aquele povo gosta muito de carnes e massas, dando menos valor a verduras e legumes.

Outra grata surpresa: lá pelas tantas, me lembrei que na Argentina, assim como no Uruguai, há refrigentantes de Pomelo, que é uma mistura da mixirica com o limão. Para a Raquel, o sabor foi de Cebion. Para mim, foi de lembranças de algumas férias na terra de meu pai - Santana do Livramento (RS), que leva a Rivera, no Uruguai.

Depois dessa experiência culinária, tínhamos outra tarefa: comprar algumas coisas para nós e buscarmos algumas encomendas feitas. Mas sobre essa história eu escrevo no próximo post.

Fotos: Nhoque ao molho pesto e Chorizo com salada mista / Raquel Ghetti

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Depois da pausa, a volta

Foram cinco dias de viagem. Mas pelas contas turísticas, o tempo foi de 5 dias e 4 noites em Buenos Aires. De longe, esta foi a melhor viagem que já fiz.

Um passeio corriqueiro para muitos, mas marcante para mim. Primeiras férias no trabalho, primeira viagem (internacional) com a Raquel, primeira experiência de ter que me virar (em casal) num país estranho. Mas posso dizer que foi ótimo.

Descobri que a cidade é intensa e tradicionalista, com um apego ao passado que pode trazer ensinamentos. Um desses exemplos é o clima de museu na Recoleta, bairro que recebe um cemitério que, apesar de fúnebre, mostra pequenas lições em cada "panteón" onde estão os antepassados de muitos argentinos. Há até um túmulo-memorial em homenagem aos combatentes da Guerra do Paraguai (ou da Tríplice Aliança?). E com um detalhe: o senso de preservação é intenso. Tanto é que havia uma equipe de restauração da Universidad de Buenos Aires realinhando uma sepultura de um personagem histórico que agora me foge a cabeça.

Mas o principal impacto mesmo começou pela porta do aeroporto de Ezeiza. Sem frio, respondi a Raquel que estava tranqüilo. O problema é que na hora que a porta nos mostrou o que havia de fora, senti que a ceroula que estava na minha mala me faria pagar a língua. Era um dia de sol, por volta das 12 horas. E o termômetro marcava 13ºC.

No caminho, muito movimento na autopista em direção a Buenos Aires e um detalhe curioso: nos gramados largos, próximo à estrada, muitas famílias. Pais, mães e crianças montavam pique-niques e corriam com cachorros ou jogavam bola. Era uma cena curiosa em meio a uma sensação de presença brasileira, já que pelo caminho se viam muitos out-doors da Claro, carros como Gol, Fox e até Celtas (que por lá se chamam Suzuki Fun), sem falar que o carro que nos levava trazia no vidro o lembrete de que foi "fabricado no Brasil".

A intenção, no entanto, era nos desligarmos daqui. Era viver as melhores sensações que uma viagem à dois pode proporcionar. E descansar nossas cabeças, abaladas por preocupações com emprego, família, contas, moradia e etc.

Por isso nossa estratégia inicial era simples: tentar nos envolver com a cidade ao ponto de não parecermos tanto turistas. Por esse motivo caminhamos bastante e a única coisa que nos denunciava (visualmente) era o mapa que eu carregava. Mas quando ele ia para o bolso, ninguém vinha nos oferecer tour de compras, visitas a lojas de roupas de "cuero" ou shows mirabolantes de tango.

Ficávamos praticamente camuflados. Tá que pretendíamos comprar alguma coisa. Mas saímos daqui com a intenção de aproveitar a cidade não como um paraíso de sacolas cheias só porque nossa moeda é mais forte. A idéia era andar, ver, escutar, sentir e, é claro, comer bem.

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Pausa de uma semana


O cético nunca sabe se o copo está meio cheio ou meio vazio.

Eu, em dúvida, não sei se minhas férias estão na metade ou se estão perto do fim.

Otimista, prefiro acreditar que elas estão na melhor parte, já que passarei a semana em Buenos Aires com a Raquel.

Espero voltar de lá com boas percepções sobre a cidade e sobre o país, que só conheço por TV, especialmente no futebol. E por falar em bola rolando, estarei lá quando o Brasil enfrentar a Argentina na semifinal das Olimpíadas de Pequim.

Tentarei aproveitar essa troca de torcidas, além, é claro, de aproveitar o máximo que puder. De preferência com muitas fotos.

Por isso, até o fim de semana que vem não acredito que devo postar nada por aqui.

Mas novidades virão.

domingo, 17 de agosto de 2008

Sinceridade em campo - Aliança FC

Por essas e outras é que o casal não se preocupa muito com o que pensam e o que falam deles em corredores de federação e encontro de dirigentes. “Quem tem que gostar de mim é a minha família”, resume o pai de Ana Júlia, Juliana e Fabiana, casado com Patrícia há 18 anos e que dirige, em todos os sentidos, uma família chamada Aliança, que, aliás, já é considerada grande demais para ficar restrita ao sobrado do Gentil Meirelles. “Tá ficando muito grande para nós. Por isso temos que correr atrás de parceiros”. Mas as dificuldades não freiam o Aliança. “Enquanto tiver tocando com dignidade, com respeito, motivado e valendo a pena, a gente continua”. E o ânimo vem de um grupo com 70 jogadoras, que Patrícia define bem. “Acaba que vira uma família com algumas jogadoras. A gente vive com elas”.

sábado, 16 de agosto de 2008

O ouro de Cielo e o olho dos oportunistas


César Cielo foi uma grata surpresa. Daquelas que dão gosto ao ver no noticiário, afinal é bom ver que um atleta olímpico surpreendeu todo mundo - até quem é do Brasil - e conseguiu uma medalha de ouro na Olimpíada de Pequim.

O significado da marca é muito extenso. Coloca o Brasil como possível potência na natação, mas ao mesmo tempo nos levanta uma pergunta: Como ele conseguiu?

Cielo foi um atleta esforçado. Na mesma toada da maioria dos brasileiros, que não têm um patrocinador fixo, o nadador conseguiu o maior objetivo - o ouro olímpico, apesar de que para alguns, o primeiro lugar, sem o recorde, não tem sido tão gratificante.

Mas para o Brasil foi. E para o Cesão, como é chamado, nem é preciso mais comentários.

A medalha de Cielo reforça as chances do Brasil, que podem ser melhor aproveitadas. E isso passa não pelo investimento isolado, como no caso do brasileiro, que foi para os EUA bancado pelos pais para alcançar o sonho de ser campeão olímpico.

O melhor caminho seria o investimento em infra-estrutura, como o próprio Cielo sugeriu ao repórter Bruno Doro, do Uol. Até porque, ele e outros nadadores já provaram que o potencial humano verde amarelo também é muito bom.

O grande temor é que esse resultado deve ser usado por confederação e comitê olímpico oportunistas, que já gastaram R$ 4 bilhões em um Pan-americano e tem liberados R$ 89,95 milhões para promover a Olimpíada de 2016, no Rio, além de alugar uma casa para divulgar os feitos brasileiros em tom de patriotada, como se têm visto no noticiário.

De forma alguma quero desmerecer a conquista de Cielo. Pelo contrário. Há muito tempo atrás, quando era um amador na natação, venci duas provas em Goiânia que me deram uma baita alegria. O que dizer então de um ouro olímpico?

O que preocupa mesmo é ver dirigentes e até mesmo noticiário se aproveitando de uma conquista literalmente heróica para promover o Brasil, mostrar que o esporte é bem tratado no país. Mas quando lembro de obras inacabadas, como o Centro de Excelência do Esporte, aqui em Goiânia, fico com vergonha de ver COB e CBDA pegarem carona em quem já superou outros sete nadadores no Cubo D'Água e tantas outras dificuldades para voltar com um sonho realizado de Beijing.

Ao mesmo tempo, também penso também que o desprendimento de César Cielo, que foi embora do país para treinar, poderia ser revertido se mais Centros de Excelência estivessem prontos, o que faria com que ele e outros nadadores não precisassem sair do Brasil para terem a preparação que merecem.

De qualquer forma, parabéns Cesão!

Foto: Jonne Roriz / AE

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Desabafo - Aliança FC

E essa preocupação vira um alerta até para as próprias amizades. Com muitos amigos na política, ele sabe que poderia ter realizado o sonho de ter um campo de 100 por 70 metros, com um vestiariozinho. Mas ele sabe que os “amigos” só lembram-se dele em época de eleição. “Não vou ser cabresto de ninguém”, afirma o direto treinador, que apesar de aparentar, não é um sujeito que não saiba ter jogo de cintura. “Reconheço o que fazem por mim. Se me tratam bem, trato bem. E ainda me dizem que sou puxa saco, sabia?”, indaga Luiz, ao mesmo tempo em que arrumava, mais uma vez, a já alinhada toalha de mesa.

Outro ponto em que há o cuidado é no trato com as jogadoras. Sem nenhuma vergonha, ele assume que dá preferência às meninas que crescem dentro do clube. Afinal, são elas que fazem do Aliança um time vencedor. “Gosto de dar moral para as pequenas que sobem, que são criadas dentro do Aliança”, afirma Luiz, que não dá ponto sem nó. “Categoria de base é bom porque a menina leva pai, irmão, tio... surgem torcedores. E família estando junto é mais saudável”, atesta Luiz.

Mas Patrícia, a esposa, lembra que o amadorismo, apesar de romântico e utópico em alguns momentos, é uma condição de risco. “A gente perde demais não sendo profissional. Trabalha a menina e quando chega no juvenil, no adulto, no auge, ela recebe proposta e sai. Tudo se perde e não tem como segurar”, lamenta a ex-presidente e parceira fiel de Luiz, que com a maior abertura do mundo, diz que a falta de ética entre dirigentes e outros clubes embaraça o esporte amador, especialmente o futebol feminino.

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Na China, tudo pode ser adaptado

O texto abaixo é do Blog do Birner e foi traduzido pelo ótimo Xico Malta

Liu Yan, a bailarina vítima da cerimônia de abertura

Le Monde
Tradução: Xico Malta

Um trágico acidente ocorreu no dia 27 de julho, porém sem nenhuma divulgação nesses últimos dias. Liu Yan, bailarina clássica de 26 anos, conhecida do público chinês, caiu de uma altura de 3 metros durante o ensaio da cerimônia de abertura, quando estava saltando de um rolo de papel virtual em direção a uma plataforma móvel na coreografia da Rota da Seda.

Uma diferença de um segundo entre as duas bases fez com que ela perdesse o equilíbrio.

Os médicos que operaram a bailarina por seis horas, não conseguiram recuperar os nervos de sua coluna.

Liu Yan está com paralisia nas duas pernas.

Por que festejar?

A notícia publicada no dia 8 de agosto, em um jornal local, o de Yangtse, com a foto da jovem bailarina mostrando o “V” da vitória em sua cama de hospital, está fazendo enorme alvoroço nos blogs.

O cineasta Zhang Yimou, mestre da cerimônia de abertura, considerado por muitos a versão moderna de Leni Riefensthal, é acusado de ter sacrificado vários artistas no altar de uma grandiosa mise em scène.

Os comentários nos blogs criticam a essência da cerimônia: “o palco estava vazio e cheio ao mesmo tempo, pois nossos governantes preferem acumular grandes massas em vez de utilizar a emoção como princípio básico de um espetáculo”.

“Quiseram transformar esta cerimônia no espetáculo mais caro do mundo, com o objetivo de surpreender o ocidente e o mundo inteiro. Mas num país onde a metade da população não tem a garantia de ter uma moradia, nem seguridade social, nem educação, por que festejar?” desabafou o blogueiro Songlin.

Lidando com a frustração - Aliança FC

Um caso exemplar dessa cautela é a frustração com o campo do Aliança. O time não possui um local próprio em que se possa treinar e mandar jogos sem depender de favores. Sem rodeios, Luiz garante que se seu clube tivesse uma área própria, o futebol feminino goiano seria outro. Mas lidar com desapontamentos faz parte da vida. “No futebol como na vida, nada pior do que bolas na trave. Porque isso significa uma atração fatal pela frustração e pela impotência”, ensinou Roberto Damatta. Por isso, Luiz é enfático ao negar o envolvimento inconseqüente com o clube. “Não posso vender o que tenho para comprar um campo”, alega o treinador, que ainda assim gastou, só no primeiro semestre de 2008, R$ 8,8 mil com despesas de arbitragem, material esportivo e viagens do time.

Mesmo assim, os gastos e os apertos não fizeram Luiz, um católico fiel em São Benedito, cair em tentação pelas promessas fáceis de melhorar seu clube. O Aliança, já recusou proposta para invadir área pública para depois ser ajudado por uso capião. “A lei protege, mas não é bom”. Com essa certeza é possível fugir da dívida de favores e preservar a independência e o principal: a credibilidade. “Não posso correr o risco de ser enxotado de um lugar. Eu tenho um nome a zelar”, diz com o dirigente, com voz firme, típica de um palestrante, só que na cozinha de casa.

De volta

Fazer a matéria sobre o Dodge Journey foi um tanto cansativo.

O carro é bom, a estrada tinha uma ótima pista e o clima ajudou.

Mesmo assim, dirigir 180 quilômetros sem um propósito bem definido é algo que se torna entediante, especialmente depois de uns 40 ou 50 quilômetros.

O bom é que agora posso retornar com os textos do Aliança. E também planejar uma avaliação, com algumas fotos, sobre o Dodge Journey, que por hora poderá ser visto aqui.

domingo, 10 de agosto de 2008

Dias de férias (?)

Estou em viagem.
Vim dar um abraço no meu pai e em seguida sigo para Campos do Jordão, para fazer uma matéria para o jornal O Popular.
Por isso, até terça-feira não terei contato com o blog.
Mas depois volto para comentar o trabalho do jornal, onde pretendo fazer uma análise de um carro.

sábado, 9 de agosto de 2008

Do campo para casa - Aliança FC

De volta ao sobrado, é hora de reorganizar os materiais e atualizar os registros do treinamento e tentar aproveitar um pouco do fim de semana, além de não esquecer a rotina fora do Aliança. Mas isso só depois dos uniformes lavados e as anotações do treino saírem da pasta para o armário.

Essa é a rotina – sem jogo – do Aliança. Em meio aos treinos, registros e reuniões na federação, Luiz Cezar tem outra responsabilidade: a ambulância do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Goiás. O emprego surgiu por meio do Projeto Rondon, em 1989. Lotado no transporte da UFG, Luiz já passou por vários departamentos até chegar ao HC, onde havia uma vaga de plantonista. O regime de trabalho, um dia inteiro e dois de folga, era ideal para conciliar as obrigações familiares, o emprego “em primeiro plano”, como faz questão de destacar, e a gestão do Aliança.

A divisão do time com a ambulância, no entanto, não esquenta o treinador. “Graças a Deus tenho um bom emprego e uma boa família”, declara Luiz, que se mostra um cara de bem e que sabe em quem confiar. Até porque, no meio do futebol, por mais que Gérson odeie, a lei da vantagem está enraigada em tudo.

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Postura um tanto agressiva - Aliança FC

No intervalo, o recado é repetido de forma mais amena. Mas nem por isso com menos insistência. A intenção de Luiz é deixar bem clara a importância de se treinar com esforço e paciência. “O trabalho é de quatro a cinco anos para chegar bem no adulto”, emenda Luiz, que subiu a voz numa clara intenção de alertar jogadoras e familiares.

Depois do intervalo, o time melhora e passa a jogar com mais empenho, apesar dos gritos de Luiz sugerirem que em campo há uma catástrofe. E por pouco não houve um problema sério. Atrás no placar, os meninos do Goiás começaram a endurecer nas divididas. Entre apelos e reclamações a um árbitro molenga, Mar Selly, umas das jogadoras, acerta um soco na orelha de um garoto do Goiás. A tensão cresce, com a possibilidade de briga. Mas o que acontece é o fim do jogo, antes do tempo, com uma gritaria de um ou outro corneteiro que queria ver pancada.

Ao final, Luiz reúne as meninas e dá uma bronca pelo descontrole do time. No mais, ele é compreensivo com os motivos da briga. Após os informes finais, o treinador anota em um diário de classe a presença de cada jogadora. Só então elas vão ao vestiário para trocar de roupa. Com os uniformes devolvidos e os materiais guardados na Variant, é hora de voltar para casa. Algumas ganham carona de Luiz e Patrícia até o terminal de ônibus. As outras se despedem e deixam o Pite de bicicleta, moto e ônibus.

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Ensinando a jogar - Aliança FC

Dentro de campo, o treinador é auxiliado por Zezinho, um senhor baixinho, barrigudo, com cabelos e bigodes brancos e uma voz forte, que além de orientar posicionamento, é responsável pelo aquecimento das moças. Patrícia também costuma ir, mas no caso dela é preciso haver uma conciliação entre as atividades de mãe, dona de casa, esposa e professora de educação física na Escola Municipal Rui Barbosa. Quando dá certo, ela vai no outro carro, mas com um uniforme do Aliança e uma chuteira preta calçada.

Em campo, a orientação é complicada. “Nunca vi jogador de futebol que não balançasse a cabeça afirmativamente quando o técnico pergunta se entendeu. Depois eles vão e fazem tudo diferente. É preciso insistir e insistir”, escreveu Sérgio SantAnna, no conto Na boca do túnel. O mesmo, óbvio, ocorre com as meninas do Aliança. E em meio ao som de caminhões de lixo e algumas motos de motocross que passam bem próximos ao campo, Luiz Cezar e Zezinho gritam, berram, esgoelam para as meninas. “Acham que tão bem no adulto, mas não dão conta desses meninos do Goiás”, esbraveja Luiz Cezar. O recado tem direção – os pais corujas, que reclamaram das filhas estarem na reserva e que estavam num dos poucos bancos do campo, assistindo ao jogo-treino.

Beijing e o "ensinamento" ao Brasil

O texto abaixo está no Blog do Sérgio Amadeu e merece uma lida atenta. É um sinal de que os Jogos de Pequim podem ensinar muito mais do que lições esportivas ao Brasil.

CHINA, AZEREDO E A SOCIEDADE DO CONTROLE


O sonho de muitos ciberacompanhantes e apoiadores do Senador Azeredo parece ser a implantação no Brasil do controle que a China realiza sobre a Internet. Lá é vetado o anonimato e a navegação livre na rede. Lá todos são identificados.

Somente jornalistas que irão cobrir as Olimpíadas é que poderão ter acesso livre à Internet. O resto do país continuará impedido de acessar alguns sites, domínios e pesquisar sobre determinados temas. A imprensa diz que tais restrições são fruto "do regime comunista", mas esquece que Bush, Sarkozy e outros governantes querem impor a lógica do controle total sobre a rede. Os "comunistas chineses" estão impondo sua lógica aos liberais-capitalistas?

Na verdade, está ocorrendo uma onda reacionária que ganhou força a partir de 11 de setembro e que passa a justificar todo tipo de ataque a democracia e a liberdade comunicacional como indispensável ao combate ao cibercrime e ao terrorismo. A Convenção sobre o Cibercrime, realizada em Budapeste, Hungria, a 23 de novembro de 2001, nasceu sob o clima do pós-11-de-setembro. É fruto do medo e da reação desequilibrada comandada pela dupla Bush-Blair. Resulta dos mesmos cálculos que levaram os Estados Unidos a invadir o Iraque.

A Convenção de Budapest foi assinada 43 paises, a maioria europeus, mais os Estados Unidos, Canadá e Japão. O Brasil não assinou a Convenção, o que demonstra o amadurecimento da nossa diplomacia diante dos apelos absurdos realizados em nome do combate ao terror. Não apoiamos a Guerra do Iraque e não apoiamos destruir direitos civis em troca de um ideal de segurança total.

Mas o Brasil sofre uma grande pressão para submeter a liberdade e a privacidade aos interesses das comunidades de controle. Recentemente, Alexandre Atheniense, Presidente da Comissão de Tecnologia da Informação do Conselho Federal da OAB, uma instituição que lutou contra a ditadura no Brasil, além de apoiar a essência do projeto do Senador Azeredo, disse que a sua aprovação abrirá a "possibilidade do Brasil aderir a Convenção de Budapeste". Leia o texto completo do presidente da Comisssão da OAB no site da Ada Digital.

A onda reacionária coloca em risco não só a liberdade, mas principalmente o ritmo de criatividade que a rede liberou em todo o mundo. Existem segmentos da sociedade que, por incompreensão ou por inconformismo, não admitem a interatividade plena e as possibilidades democratizantes e descentralizadoras da comunicação em rede. Querem restituir o mundo dominado e controlado do broadcasting. Clamam por uma sociedade de submissão e de controle.

Enquanto o Senador Azeredo faz apelos ao governo para aderir a Convenção de Budapeste, o deputado Carlos Bezerra (PMDB -MT) apresentou um projeto de Lei 3369/2008 que pretende obrigar que todos os computadores vendidos no Brasil tragam uma mensagem advertindo os usuários de que "o uso indevido da máquina pode gerar infrações que o sujeitem à responsabilização administrativa, penal e cível". "O alerta deverá aparecer na tela dos computadores no momento em que são ligados." O deputado afirmou: "É importante lutar contra o mito de que a internet é um ambiente onde tudo pode ser feito sem qualquer conseqüência."

Até seria engraçado se não fosse trágico. Não estamos em 1984, mas parece ser verdade que a vida imita a arte.

É preciso que o movimento pela democratização das comunicações atualize sua agenda. Os ataques à liberdade de expressão, criação e pensamento, cada vez mais serão apresentados como uma necessidade imperiosa de combater o crime e o terror.

Assine a petição em defesa da liberdade na Internet:
http://www.petitiononline.com/veto2008/petition.html

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Treino das meninas - Aliança FC

Localizado próximo ao aterro sanitário de Goiânia, o clube tem um campo surrado, com marcações quase invisíveis, e com poucos bancos para os reservas. As jogadoras ficam sentadas atrás de um gol, próximas ao garrafão d’água, onde conversam sobre baladas, namoricos, jogos de futebol, escola e família. Sobre o que se passa no treino, quase nada. A desatenção chateia Luiz Cezar, que não está sozinho nos treinos, coletivos, amistosos e jogos.

Dentro de campo, o treinador é auxiliado por Zezinho, um senhor baixinho, barrigudo, com cabelos e bigodes brancos e uma voz forte, que além de orientar posicionamento, é responsável pelo aquecimento das moças. Patrícia também costuma ir, mas no caso dela é preciso haver uma conciliação entre as atividades de mãe, dona de casa, esposa e professora de educação física na Escola Municipal Rui Barbosa. Quando dá certo, ela vai no outro carro, mas com um uniforme do Aliança e uma chuteira preta calçada.

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Dona Dirce e meu estágio no MP/GO

São mais de 3 horas da manhã. Depois da meia noite, minha obsessividade me indicou que eu estava oficialmente de férias. Bebi uma lata de cerveja e matei o resto de uma garrafa de vinho, tamanha a alegria.

E solitário, já que não pude sair com a Raquel, disparei a navegar na Internet. Clica daqui, atualiza o blog dali, parei no site do Texto Vivo, endereço que a Academia Brasileira de Jornalismo Literário mantém para divulgar suas atividades e a produção das turmas de especialização de Jornalismo Literário.

Hoje, resolvi explorar o endereço. Talvez por estar oficialmente de férias. Até que encontrei o texto da Ana. A Ana Cristina, assessora de imprensa do Ministério Público do Estado de Goiás.

Ela trabalha lá há não sei quantos anos. Mas um em um - 2005 - fui estágiário dela. E da Taís (Hirschmann, a gremista), e do João Sérgio, que batia as fotos, e da Cris (tiani, que foi ao show do Fábio Júnior - desculpa, chefa). Teve a Majô também. Mas ela não durou. E tinha o PGJ, o doutor Saulo, cuja prova do primeiro Jornal do MP eu risquei todinha. Com uma caneta vermelha, apontei erros de diagramação e português. O problema é que era na prova da gráfica, a versão final do procurador, que aprovaria ou não a impressão do jornal. E ele acabou recebendo um papel todo remendado de liquid paper. Um horror, que tirou a gremista do sério.

Nesse mesmo dia, na sala onde Taís se desesperava com o corretivo na mão, trabalhava uma senhora. Loira, dos cabelos curtos. Lembrava minha vó, Lurdinha. O nome dela era a Dirce. Ou Dona Dirce, como a chamo até hoje. Torcedora do Goiás, vez por outra a gente se provocava em dia de derrota do time dela ou em caso de vitória do Vila Nova, maior rival dos esmeraldinos, mas que servia de pretexto para provocar (carinhosamente) a dona Dirce.

Nessa história toda, muito resumida, eu me lembrei depois de ler um texto no site da ABJL. Lá, encontrei uma história que a Ana (Cristina) escreveu e que, de tão boa, foi escolhida para figurar na página.

Para lê-la, basta clicar aqui.

Vou confessar uma coisa: Como convivi com Dona Dirce, não sei porque não chorei. Mas é certo que vou aproveitar minhas férias para visitá-la, la no MP, onde espero reencontrar todos.

E quero dar um abraço na nela, que entre outras coisas, comemorou o meu aniversário com a turma toda da assessoria. E que também me disse que a Rosilda, lá da copa, fazia um café super gostoso.

Isso disparou meu vício no café. Mas talvez elas nem saibam direito.

Conversa no caminho - Aliança FC

No caminho, ele conta detalhes sobre a preparação de sua equipe para o Campeonato Goiano Feminino. Em meio ao barulho do motor, resfriado a ar, sua voz naturalmente alta se eleva para mostrar insatisfação ao saber, em reunião na FGF, que poderia jogar em um campo de terra. “Podia arrumar um gramado. Terrão acaba machucando as meninas. E a qualidade do jogo acaba não sendo a mesma”, argumenta. Depois ele revela que um dirigente da Aparecidense, ao ser questionado por ele se não montaria um time, disse que ia armar uma equipe para ganhar do Aliança.

Com uma risada irônica, o treinador-dirigente apenas comenta que “quem quer fazer um trabalho sério tem que ralar igual eu ralei”. Depois de alguns minutos e uma parada para comprar o gelo multiuso, usado para esfriar a água e tratar uma ou outra lesão que possa surgir, chegamos ao campo do Pite.

domingo, 3 de agosto de 2008

Caminho do treino - Aliança FC

Subindo as escadas e voltando à sala, se passa pela porta principal da casa, que fica num cruzamento. Separados pela porta da casa estão a sala e a garagem, onde ficam os carros da família – um Palio e uma Variant azul, 1974, usada para ir aos treinos do clube, dar caronas a algumas jogadoras e carregar dois sacos, com 28 bolas ao todo. Algumas estão novas e misturadas a outras sem couro. E todas são usadas nos treinos. Quando não estão próximas aos carros, que são guardados pela cachorra da casa, Sasha, as redondas ficam dentro de casa, num canto da sala.

E é sempre às quintas e sábados, além dos dias de jogos, que as bolas, algumas jogadoras, as filhas e Luiz Cezar entram na Variant para irem até o Pite Clube, na rodovia dos Romeiros, estrada que leva à Basílica de Trindade. O veículo, marcado pela ferrugem e sem cinto de segurança, com um adesivo de sócio do Aliança, leva o material básico para a prática das meninas. Num sábado, com o carro carregado, Luiz Cezar guia com calma, sem ultrapassar os 60 quilômetros por hora, para poder começar um jogo treino com o time sub-14, masculino, do Goiás.