sábado, 26 de julho de 2008

Sonho e realidade olímpicos


Neste mês o governo federal liberou R$ 85 milhões para tentar emplacar o Rio de Janeiro como sede das Olimpíadas de 2016. Como se não bastasse, o "esporte de alto rendimento" precisou de mais. E outros R$ 4,950 milhões saíram do cofre.

Essa nova verba vai para a Casa Brasil na China, uma estrutura que será montada para promover e divulgar a imagem do País para o mundo, ao custo total de R$ 10,450 milhões, sendo R$ 2 milhões do Comitê Olímpico Brasileiro e o restante do governo.

Em 20 dias, a casa de Beijing vai receber a visitinha de medalhistas brasileiros, além de destacar produtos e serviços e outras atrações. Para o ministro do esporte, "a Casa Brasil aproveitará a oportunidade para mostrar ao mundo por que queremos e podemos sediar a Olimpíada de 2016."

Ao todo, em menos de um mês já se gastou R$ 89,95 milhões para se planejar um sonho. Nada contra projetos e idéias, mas coisas concretas também merecem atenção.

É o caso do Centro de Excelência do Esporte, em Goiânia. A obra foi autorizada em 2001, com orçamento de R$ 16 milhões, sendo 90% do governo federal e o restante do Estado. A previsão era de que em 2003 a obra fosse concluída e que o complexo, com ginásio, estádio, laboratório de capacitação e parque aquático, preparasse atletas para as Olimpíadas de Atenas.

O tempo passou e sete anos depois, como mostrou o jornal O Popular, a obra precisa de R$ 40 a 50 milhões para acabar com o monte de terra que espalha poeira na vizinhança do Centro de Goiânia.

Pode parecer simplista, mas para receber Jogos Olimpícos é preciso ter mais que locais de provas novos e modernos. É preciso ter estrutura, base sólida. E isso se conquista por capacitação, investimento de longo prazo. Algo como um centro de excelência concreto.

Mas o governo quer sonhar. Nada contra. Mas porque não vislumbrar e realizar a obra em Goiânia, que atenderia aos atletas de todo o País? Com R$ 89,95 milhões seria possível terminar a obra e ainda sobraria um "troco" para a Casa Brasil e os "estudos e planejamentos olímpicos".

Vale a pena lembrar que o custo inicial era de R$ 16 milhões. Só que "o tempo foi passando e o material foi ficando cada vez mais caro", explicou o diretor de obras civis da Agência Goiana de Transporte e Obras Públicas (Agetop), Luiz Antônio de Paula.

Pena que isso mão é culpa só da inflação.

PS: Quem quiser conferir a área, clique no Google Maps

Foto: Cristiano Borges/Jornal O Popular

2 comentários:

Rodrigo Alves disse...

O que dizer, senão que é um absurdo!

Tiago Bênia disse...

É desleixo.

É como o caso de menino que não estuda e depois tem que se matar para passar de ano.

Só que neste caso, o menino Brasil quer receber Jogos sem ter a estudar direito o que precisa para conseguir a aprovação.