quinta-feira, 24 de julho de 2008

Esporte maquiado


"Nós queremos direitos humanos, não Olimpíada".

Essa foi a frase de Yang Chunlin , um ativista chinês que é de uma organização de camponeses que perderam suas terras e não receberam compensação adequada. Ele foi preso e condenado a 5 anos de prisão por "incitar a subversão do poder do Estado".

Quem relata essas e outras histórias da china é a repórter Cláudia Trevisan, da Agência Estado, que está em Pequim.

No texto, ela conta que na hora de fazer o "marketing" (palavra ingrata que mascara muita coisa), para se candidatar a receber os Jogos, o governo chinês alegou que o evento ajudaria a melhorar a situação dos direitos humanos no país, além de promover seu desenvolvimento econômico e social.

A China tem sido vista como uma potência, capaz de realizar a maior Olimpíada da história.

Mas sob qual aspecto? Eu diria que pelo do consumo, que se vale do marketing e da propaganda para vender seus produtos. Por isso, alguns "atletas" estão nos jogos como vitrine viva de tênis, camisas, bolas, maiôs, óculos, comida fast-food e até cerveja.

Afinal, nada melhor do que uma imagem de vitória para que propagar a imagem de sucesso. Com o mundo todo assistindo então, nem se fala.

E nesse enredo, a verdadeira condição humana acaba esquecida.

Os Jogos passam. As pessoas ficam.

E os que permanecem têm que lidar com a verdadeira realidade. Como Chen Guangcheng, que segundo a matéria de Cláudia é cego, foi condenado a 4 anos e 3 meses de prisão depois de denunciar a realização de milhares de abortos e esterilizações forçados na China, que exerce um forte controle de natalidade. Isso que ainda tem a questão do Tibet.

E você pode até pensar que isso não acontece conosco ou que nós nada temos a ver com isso.

Mas basta lembrar que a Copa de 1978, na Argentina, foi uma prova de maquiagem pelo esporte, como mostrou Xico Malta em seu texto no Blog do Birner.

Os tempos são outros. Mas a maquiagem sempre muda de acordo com a "moda".

E tem gente que quer Copa do Mundo no Brasil. Sinceramente: com tanta prioridade pela frente, esse é um luxo para o qual o País, não está pronto.

Imagem: Reporters sans frontières

Um comentário:

Rodrigo Alves disse...

Não é de hoje que estou notando essa vontade da alta Cúpula chinesa de mudar a imagem do país. Há alguns meses li a entrevista de um estudioso chinês e ele declarou com todas as letras que eles querem que os prdutos chineses percam aquela imagem de coisa "do Paraguai", como dizemos aqui. Concordo inteiramente com você em dizer que temos prioridades que devem ser respeitadas, mas acho que, tirando a politicagem forte que existe na organização destes grandes eventos esportivos, Olimpíadas e Copas são muitos importantes para os países-sede. Abraços. Muito legal seu novo blog.