quinta-feira, 31 de julho de 2008

Dúvidas sobre a camisa do Pelé

Há pouco vi uma prévia da entrevista do Juca Kfouri com o cineasta João Moreira Salles, na ESPN Brasil.

Como já citado aqui, ela será exibida no sábado.

No aperitivo, quando ele comentou que a camisa do Pelé não havia chegado, fiquei confuso e com algumas dúvidas. Ele afirmou que é preciso resolver um assunto burocrático, que é o pagamento de uma taxa de importação pela compra de ano de R$ 220 mil feita numa cada de leilões inglesa. Diante dessa situação, algumas dúvidas rondaram minha cabeça:

- Por que vão cobrar imposto de uma camisa de time que foi fabricada aqui? Até onde sei, os uniformes das equipes saem dos respectivos países em direção a uma copa do mundo. E ela estava aqui, com o Zagallo, que espertamente a vendeu.

- Por que João Moreira Salles fez questão de revelar esse impasse da compra na TV? Imagino que alguém capaz de pagar R$ 220 mil em uma camisa pode muito bem buscá-la em Londres e trazê-la na mala, discretamente, sem que ninguém percebesse.

- Para finalizar: por que ele não trouxe a amarelinha na mala e divulgou o feito com ela aqui, guardada em algum cofre (talvez um do Unibanco)?

Diante dessas dúvidas (ou curiosidades), fico com a sensação de que algo há por trás dessa história. Uma coisa é certa: tentarei ver a entrevista para conferir se nenhuma informação surge.

Foto: Luís Vita / Cineweb

Noite debruçada



Goiânia, 30 de julho de 2008. 6h20 da manhã. Nessa hora eu consegui estralar a coluna e bati essa foto, da janela do quatro que se tornou escritório, em meu apartamento.

Uma hora depois, todos os trabalhos da especialização em Jornalismo Literário estavam prontos. O último a ser finalizado foi o ensaio.

Depois de varar a noite com as costas arqueadas e com corpo e idéias debruçados sobre o teclado, fechei o ensaio, cujo tema é o uso do blog no jornalismo literário, mas que pode perfeitamente se aplicar ao jornalismo, como já fazem alguns colegas, como o Rodrigo e o coletivo Plural Blog.

Com o trabalho e depois de dormir durante a manhã inteira, numa troca de turno, passei o trabalho para a revisão carinhosa e sempre presente (em todos os sentidos) da Raquel, que recentemente aderiu à blogosfera com o Nada por Dizer. Aliás, sou suspeito para comentar, mas o blog é de uma preciosidade de garota, que tem bom texto e uma veia psicanalítica fascinante. Um orgulho. Um blogaço! Que começa a deslanchar.

Enfim, sou um pouco relutante em fazer do blog um "diário". Mas esta quarta-feira valeu à pena. E não poderia deixar de fazer esse registro, afinal, o TCC da especialização e este blog nasceram juntos, após uma orientação do professor Edvaldo num dia em que até chuva (em cima da bicicleta) eu tomei.

Roupa de treino lavada em casa - Aliança FC

Quando não recebe churrascos e outras festividades, o espaço é como boa parte dos quintais. Há um varal, que seca as roupas da família e os uniformes do time, que são lavados num tanquinho por Patrícia. Depois de secos, um processo que não demora, por causa do vento e do tempo predominantemente seco, eles são guardados em três armários de aço, que ficam quase imperceptíveis por causa do grande espaço. Dentro ficam uniformes, meiões, bolas, malas, chuteiras, caneleiras, bombas de encher bola e até algumas chuteiras que são dadas a uma ou outra jogadora.

Esse material é todo comprado pelo casal, em promoções achadas em lojas de material esportivo. É o caso de alguns pares de chuteiras que estão no armário. Modelos simples, elas estão encostadas por algumas vaidades do time. “Hoje as meninas querem chuteira de 300 reais”, lamenta Luiz ao saber que os calçados são preteridos por conta de modelos na Nike ou da Adidas, que acabam tendo a mesma função que um da Finta ou da Mattaus.

quarta-feira, 30 de julho de 2008

Clube familiar - Aliança FC

Acostumado a mudanças, o clube, por volta do ano 2000, passou a ser administrado na casa no Gentil Meirelles, construída por Luiz Cezar e Patrícia. A obra, no entanto, teve marcas mais fortes do Aliança. Além do quarto amarelo e preto dentro da residência, foi criada, no sótão, uma espécie de sala de concentração e preleção antes dos jogos. Após entrar em casa e depois de três lances de escada, se chega a um espaço amplo, de teto baixo, com estrutura de uma laje, onde as jogadoras ficariam agrupadas antes de jogos importantes.

A proposta, no entanto, não vingou. Luiz parece ter achado melhor deixar as jogadoras mais livres. O time não era profissional e a casa já abrigava tanta coisa do clube que talvez fosse melhor não aumentar essa mistura.

Essa separação, no entanto, parece inevitável. Voltando à sala e seguindo os degraus abaixo, se chega ao quintal do sobrado. O local, onde o vento corre bastante, por causa da região onde está a casa, tem um espaço grande, com piscina, churrasqueira e um criatório de pássaros, todos registrados no Ibama. Mas onde o Aliança se faz presente neste espaço? Simplesmente a área é utilizada para receber festas e encontros do clube, numa oportunidade em que Luiz e Patrícia, além das três filhas, recebem as jogadoras e seus familiares, numa chance de reforçar o ambiente familiar da equipe.

terça-feira, 29 de julho de 2008

Camisa do Pelé


Tá no Blog do Juca, do Uol.


Foi o cineasta João Moreira Salles quem arrematou, em novembro passado, a camisa com que Pelé disputou o primeiro tempo da final da Copa de 1970, contra a Itália, e com a qual marcou seu último gol pela Seleção Brasileira.

A revelação foi feita 60 minutos atrás na gravação do programa "Juca entrevista", que irá ao ar SÁBADO à noite na ESPN.
Como se recorda, a camisa pertencia a Zagallo que a leiloou em Londres e conseguiu R$ 220 mil pela peça.
A compra, então, foi atribuída "a um colecionador anônimo".
Hoje João Moreira Salles contou que foi ele quem arrematou a preciosidade "por achar muito triste a possibilidade de a camisa ficar fora do Brasil".

Ele vai doá-la provavelmente ao Museu do Futebol que está prestes a ser inaugurado no estádio do Pacaembu, em São Paulo, embora não afaste a idéia de doá-la a alguma instituição pública de sua cidade, o Rio de Janeiro.

A camisa só não está ainda no país por causa dos trâmites burocráticos para trazê-la de volta.

Por incrível que pareça, é possível que seja preciso pagar 200% sobre o lance vencedor como taxa alfandegária.

Mudanças embaladas - Aliança FC

E o primeiro torneio disputado foi no mesmo ano, com o Campeonato Goiano de Futebol Feminino Adulto, quando o time ficou com a 3ª posição. Esbanjando ânimo, o clube foi registrado na Federação Goiana de Futsal, em 1992, assim como foi criado o departamento de caratê-do tradicional.

Foi a época de mudança. Na verdade, era nada mais que o cumprimento do antigo estatuto, elaborado na época de Chefire e sua turma. Mas os rumos se alteraram depois que a esposa de Luiz, Patrícia, assumiu o comando do clube. Eleita em 1994, ela foi a primeira mulher a assumir um clube de futebol em Goiás e chegou para dar uma nova identidade ao Aliança. Em outubro de 1995, o estatuto foi alterado e ao amarelo e preto passou a ser a cor oficial, com a primeira camisa listrada verticalmente, calções pretos e meias pretas. Na camisa reserva, a principal cor era o amarelo, com detalhes pretos. O calção passou a ser amarelo, assim como os meiões.

A sede também mudou. Da Vila Abajá, a central do clube foi para a Rua Antônio Accioly, onde fica o estádio do Atlético, que é cercado por outras duas vias. O novo local não era desconhecido e tratava-se de um quarto, na casa da mãe de Patrícia. Depois que ela se casou com Luiz Cezar, o cômodo ficou desocupado. Com uma simples reforma, uma porta foi virada para o quintal e passou a receber o escritório do Aliança.

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Há 18 anos - Aliança FC

A história de Luiz começou em 1990, quando ele assumiu a presidência. A principal tarefa era reorganizar o clube e seu principal esporte, o futebol, que desde 1983 tinha pendências na Federação Goiana de Futebol (FGF), como registro de estatuto e de diretoria. Com tanta dificuldade, o time ficou mais de um ano sem participar e acabou desfiliado da entidade.

Sete anos depois, numa reunião que teve ata redigida à mão, Luiz Cezar foi eleito o novo dirigente. Seu mandato durou até o final de 1991. Nesse período, o Aliança começou a traçar o caminho em direção aos gramados, que veio com a refiliação na FGF, autorizando a equipe a disputar os campeonatos amadores da federação.

E o primeiro torneio disputado foi no mesmo ano, com o Campeonato Goiano de Futebol Feminino Adulto, quando o time ficou com a 3ª posição. Esbanjando ânimo, o clube foi registrado na Federação Goiana de Futsal, em 1992, assim como foi criado o departamento de caratê-do tradicional.

sábado, 26 de julho de 2008

Sonho e realidade olímpicos


Neste mês o governo federal liberou R$ 85 milhões para tentar emplacar o Rio de Janeiro como sede das Olimpíadas de 2016. Como se não bastasse, o "esporte de alto rendimento" precisou de mais. E outros R$ 4,950 milhões saíram do cofre.

Essa nova verba vai para a Casa Brasil na China, uma estrutura que será montada para promover e divulgar a imagem do País para o mundo, ao custo total de R$ 10,450 milhões, sendo R$ 2 milhões do Comitê Olímpico Brasileiro e o restante do governo.

Em 20 dias, a casa de Beijing vai receber a visitinha de medalhistas brasileiros, além de destacar produtos e serviços e outras atrações. Para o ministro do esporte, "a Casa Brasil aproveitará a oportunidade para mostrar ao mundo por que queremos e podemos sediar a Olimpíada de 2016."

Ao todo, em menos de um mês já se gastou R$ 89,95 milhões para se planejar um sonho. Nada contra projetos e idéias, mas coisas concretas também merecem atenção.

É o caso do Centro de Excelência do Esporte, em Goiânia. A obra foi autorizada em 2001, com orçamento de R$ 16 milhões, sendo 90% do governo federal e o restante do Estado. A previsão era de que em 2003 a obra fosse concluída e que o complexo, com ginásio, estádio, laboratório de capacitação e parque aquático, preparasse atletas para as Olimpíadas de Atenas.

O tempo passou e sete anos depois, como mostrou o jornal O Popular, a obra precisa de R$ 40 a 50 milhões para acabar com o monte de terra que espalha poeira na vizinhança do Centro de Goiânia.

Pode parecer simplista, mas para receber Jogos Olimpícos é preciso ter mais que locais de provas novos e modernos. É preciso ter estrutura, base sólida. E isso se conquista por capacitação, investimento de longo prazo. Algo como um centro de excelência concreto.

Mas o governo quer sonhar. Nada contra. Mas porque não vislumbrar e realizar a obra em Goiânia, que atenderia aos atletas de todo o País? Com R$ 89,95 milhões seria possível terminar a obra e ainda sobraria um "troco" para a Casa Brasil e os "estudos e planejamentos olímpicos".

Vale a pena lembrar que o custo inicial era de R$ 16 milhões. Só que "o tempo foi passando e o material foi ficando cada vez mais caro", explicou o diretor de obras civis da Agência Goiana de Transporte e Obras Públicas (Agetop), Luiz Antônio de Paula.

Pena que isso mão é culpa só da inflação.

PS: Quem quiser conferir a área, clique no Google Maps

Foto: Cristiano Borges/Jornal O Popular

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Esporte maquiado


"Nós queremos direitos humanos, não Olimpíada".

Essa foi a frase de Yang Chunlin , um ativista chinês que é de uma organização de camponeses que perderam suas terras e não receberam compensação adequada. Ele foi preso e condenado a 5 anos de prisão por "incitar a subversão do poder do Estado".

Quem relata essas e outras histórias da china é a repórter Cláudia Trevisan, da Agência Estado, que está em Pequim.

No texto, ela conta que na hora de fazer o "marketing" (palavra ingrata que mascara muita coisa), para se candidatar a receber os Jogos, o governo chinês alegou que o evento ajudaria a melhorar a situação dos direitos humanos no país, além de promover seu desenvolvimento econômico e social.

A China tem sido vista como uma potência, capaz de realizar a maior Olimpíada da história.

Mas sob qual aspecto? Eu diria que pelo do consumo, que se vale do marketing e da propaganda para vender seus produtos. Por isso, alguns "atletas" estão nos jogos como vitrine viva de tênis, camisas, bolas, maiôs, óculos, comida fast-food e até cerveja.

Afinal, nada melhor do que uma imagem de vitória para que propagar a imagem de sucesso. Com o mundo todo assistindo então, nem se fala.

E nesse enredo, a verdadeira condição humana acaba esquecida.

Os Jogos passam. As pessoas ficam.

E os que permanecem têm que lidar com a verdadeira realidade. Como Chen Guangcheng, que segundo a matéria de Cláudia é cego, foi condenado a 4 anos e 3 meses de prisão depois de denunciar a realização de milhares de abortos e esterilizações forçados na China, que exerce um forte controle de natalidade. Isso que ainda tem a questão do Tibet.

E você pode até pensar que isso não acontece conosco ou que nós nada temos a ver com isso.

Mas basta lembrar que a Copa de 1978, na Argentina, foi uma prova de maquiagem pelo esporte, como mostrou Xico Malta em seu texto no Blog do Birner.

Os tempos são outros. Mas a maquiagem sempre muda de acordo com a "moda".

E tem gente que quer Copa do Mundo no Brasil. Sinceramente: com tanta prioridade pela frente, esse é um luxo para o qual o País, não está pronto.

Imagem: Reporters sans frontières

A origem dos registros - Aliança FC

Essa história pôde ser contada graças aos registros do clube que foram preservados. Encadernados em um livro preto com letras douradas que informam que ai estão informações do Aliança, os dados vitais do Galo da Abajá ficam dentro de um armário de escritório cinza, recheado de outros documentos e com várias fitas e alguns DVDs em cima. Esse arquivo é sistematicamente organizado por Luiz Cezar Ferreira da Rocha. Ele e a mulher, Patrícia Aparecida de Menezes, construíram a casa nova há cerca de oito anos. Pintado de vermelho, um pouco pela paixão de Luiz pelo Atlético, e dela pelo Vila Nova, o grande sobrado, localizado no setor Gentil Meirelles, numa região onde o vento corre com facilidade, abriga também as três filhas do casal e o escritório do Aliança.

Ao lado da cozinha, a porta do espaço fica de frente para a mesa de refeições. Mas ao cruzar o portal, a impressão que se tem é de entrar em uma miniatura da sede do clube. Lá dentro só não há grama, mas a estrutura é abraçada por paredes amarelas, que simbolizam a nova cor do Aliança, que tomou o espaço do branco. “É para não ficar igual ao Goiânia”, explica o sorridente Luiz Cezar, ao lembrar do outro Galo, que hoje é o maior rival do time no futebol feminino. Nesse ambiente, ele guarda tudo, numa obsessão por ter tudo organizado.

Atrás do computador, perfeitamente organizados, estão os troféus etiquetados e algumas medalhas conquistados pelo time. Atualmente, entre torneios de futebol de campo e salão, estão 107 taças de campeão e vice, que ficam dentro de uma vitrine já lotada. Por isso, alguns prêmios estão fora do espaço, o que deixa Luiz Cezar inquieto. “Preciso arrumar as prateleiras para guardar todos logo”, justifica o presidente e técnico do Aliança, que está no clube há quase 18 anos.

Túlio e a piada de mau gosto

O atacante Túlio Maravilha é tido como uma das figuras mais irreverentes do futebol.

Falastrão, ele costuma usar seu carisma para o folclore do esporte. Mas aos 39 anos, sua mania de exposição parece ter ultrapassado o objetivo de chegar aos mil gols.

Na última quarta-feira, ele lançou sua candidatura a vereador em Goiânia. Ele pretende concorrer pelo PMDB, mesmo partido do atual prefeito, Iris Rezende.

Lendo uma notícia dessas, sinto que a política tem sido tratada como uma folia, que recebe qualquer um que tenha notoriedade. No caso de Túlio, ele se considera "um patrimônio do Estado de Goiás, e não de um time".

O jogador, que já passou por 21 clubes, pode até convencer os que gostam dele. Mas o eleitor não pode cair na lorota do atacante. Ele e o time do Vila Nova mal têm dado conta de colocar o clube entre os quatro que subirão à Série A em 2009.

Por isso pergunto: será que ele, com rotina de concentração e jogos, conseguirá ser um bom vereador?

O máximo que se poderia esperar dele é uma ou outra proposta para o esporte.

No mais, o suplente seria o homem por trás de Túlio, que o garantiria em uma Câmara que já não tem tanta transparência e credibilidade. Basta conferir o site do Projeto Excelências, da Transparência Brasil, para pegar uma avaliação do legislativo de Goiânia.

Por isso faço um apelo ao torcedor, especialmente o do Vila Nova. Vote em quem tem competência e não eleja um atacante falastrão. Afinal, ele passa, sai do clube. O Goiás sabe bem disso.

O voto, no entanto, decide o futuro da cidade.

Em tempo, os links com as notícias por jornais e sites a fora.
O Globo, Estadão e Uol

quarta-feira, 23 de julho de 2008

Perto do final

Finalmente a narrativa sobre o Aliança está concluída.

Ela deve passar por uma revisão carinhosa da Raquel antes de ser enviada ao professor Edvaldo, meu orientador.

Em breve todos os "capítulos" devem estar postados aqui.

Agora é escrever o ensaio, que terá como tema o TCC e este blog.

Qualquer comentário/sugestão será bem vinda.

Um abraço com um pouco menos de peso nas costas.

Finalmente

Burocracia - Aliança FC

Mas esse não foi o único caminho para que o clube começasse suas atividades. Era preciso fazer o registro de pessoa jurídica, para que o clube pudesse assinar alguns contratos, entre eles os de contratação de atletas. O aval saiu em fevereiro de 1962, num cartório de Campinas, o L. Sampaio, que era um dos poucos estabelecimentos que informava seu telefone na porta. Quem quisesse pegar alguma informação à distância tinha que discar 8055 para falar com o tabelião. Mas até conseguir o registro, era preciso superar algumas barreiras burocráticas, como uma versão antiga das atuais certidões negativas de débitos. Só que na época, elas eram emitidas nas delegacias de polícia. Por isso, Cherife, Ibsen e Juarez foram ao 5º DP, próximo à 24 de outubro, só que na outra ponta da avenida, para conseguir um documento que atestava a identidade de cada um, além da boa conduta deles em meio à comunidade.

Com todas as exigências estabelecidas, era preciso escolher um local para receber a sede do clube. E a primeira foi na própria Avenida 24 de outubro, 645, bem próxima ao Estádio Antônio Accioly. Algum tempo depois, houve uma mudança para outra sede provisória, na Vila Abajá, bairro bem próximo ao de Campinas. O novo endereço era a Rua 6, próximo a um beco, na região do Ribeirão Anicuns.

terça-feira, 22 de julho de 2008

Identidade inspirada - Aliança FC

O pretenso pioneirismo do Aliança, no entanto, esbarrou na falta de criatividade de seus fundadores. As cores, elementos que identificam e criam tradição de um grupo, foram as mesmas do Goiânia – branco e preto. Até a mascote, um galo, foi adaptada ao novo time. Essa influência pode ser explicada pelo próprio Atlético, que era o maior rival do Goiânia, cuja sede estava de frente para os fundadores do Aliança. Seria um caso de síndrome de Estocolmo? Talvez, mas não custa lembrar que a própria síndrome não é uma unanimidade entre psicólogos. Além do mais, não se pode deixar de lado a intenção fortalecer o novo clube, que nas idéias dos fundadores, poderia ser melhor da capital.

O que não foi cópia foi o distintivo do clube. Como a representatividade das cores se restringia a alguns clubes mais antigos, como Flamengo e Corinthians no Brasil; Peñarol, com seu amarelo e preto no Uruguai; e Juventus, com suas listras verticais brancas e pretas na Itália; o Aliança aproveitou uma tendência para criar seu primeiro símbolo. Com formato similar ao do Fluminense, ele recebia a sobreposição das AFC, com dois aros unificados, sendo as alianças do distintivo, que ficou um pouco carregado, diga-se de passagem.

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Visão de futuro - Aliança FC

Provavelmente nesse período eles cuidaram de outros assuntos, entre eles o estatuto do clube, que estipulava algumas metas genéricas, como “desenvolver a educação física em todas as suas modalidades” e “promover reuniões e diversões de caráter desportivo, social, cultural e cívico”.

Quando foram definir o capítulo que tratava das competições esportivas, outras considerações genéricas, mas que retratavam o interesse, na época, de fazer o Aliança presença em competições oficiais, já que os atletas deveriam disputar campeonatos oficiais das entidades a que estiver filiado, sendo responsabilidade da agremiação cuidar do preparo técnico e físico dos atletas. Era óbvio, mas uma iniciativa que não se restringia ao futebol, apesar esporte mais popular do mundo estar presente no nome do clube.

Mas o principal detalhe do Aliança, a diferença entre em relação aos demais clubes esportivos, era o artigo 32 das regras do clube. Ele determinava que “o departamento feminino, a ser criado logo que seja possível, organizará competições e incentivará a prática de desportos úteis à cultura física da mulher, bem como a sua filiação às entidades superiores competentes”. A intenção era bem clara: inserir a mulher no cenário esportivo de Goiânia. Mas não se pode negar a que a proposta começou muito “intencional”, já que o “logo que seja possível” dava ares de promessa de campanha política ao propósito, além de projetar como a mulher era vista na sociedade.

sexta-feira, 18 de julho de 2008

O que falta?



Voltei para casa depois do Brasil e Venezuela, no Goiânia Arena, feliz com o que vi.

O Brasil esteve muito superior em quadra e mostra que tem potencial para uma dobradinha na Luga Mundial de Vôlei e nas Olimpíadas. Foram 3 sets a 0 de respeito.

Bom também foi ver ginásio, usado frequentemente para shows e festas de formatura, ser aproveitado pelo esporte.

Foi então que peguei o carro e, meia hora depois (no congestionamento que piorou com o horário do almoço), conseguiu chegar em casa. Corre daqui e dali, fiz um almoço rápido, para matar a fome.

Para acompanhar o arroz, salada, e bife, liguei a TV e comecei a ver Brasil x Alemanha, no Pré-Olímpico de Basquete. Durou pouco, já que saí para acompanhar a Raquel e a NET não facilitou, já que sumiu o sinal do cabo.

Mas me decepcionei com o pouco que vi. Não com os atletas de Moncho Monsalve. Mas com a situação do basquete brasileiro um modo geral. No 3º quatro, a diferença era de 27 pontos, com 62 a 39 para os alemães.

Tudo reflexo de uma mistura que inclui "estrelas" esgoistas, má-preparação (Baby e Alex Garcia tiveram infecção estomacal por causa de comida de buffet) e confederação relapsa.

Resultado: Brasil há 16 anos sem ir às Olimpíadas.
Conclusão: falta Oscar na seleção.
Foto: Gaspar Nobrega/CBB

Café na 24 de outubro - Aliança FC

Goiânia, 24 de outubro de 1958. Nesta data, um grupo de três homens funda o Aliança Futebol Clube. Coincidência ou não, eles se reuniram numa lanchonete, chamada Café Estrela, que fica na Avenida 24 de outubro, em Campinas. O local escolhido por Cherife Oscar Abrão, Ibsen Henrique de Castro e Juarez Rogério ficava na ponta da avenida, quase em frente ao Estádio Antônio Accioly, do Atlético Clube Goianiense.

De olho para a entrada do campo do Dragão, que tem uma torre com traços art-déco e uma bandeira rubro-negra marcando o território do Atlético, os três rapazes, que se intitularam como “um grupo de esportistas”, se reuniram com o objetivo de criar um novo clube na região. Após muita conversa, abafada algumas vezes pelo que se passava dentro e fora do café, com pessoas, vendedores, carros e ônibus se fazendo presentes na principal avenida de um bairro que já foi cidade; em meio a buzinas, fumaças e cartazes de ofertas de todo tipo de produtos, eles concluíram que a futura agremiação se chamaria Aliança Futebol Clube.

A época favorecia o apego ao futebol. Há cerca de quatro meses antes, o Brasil, com Pelé, Didi, Nilton Santos, Zagallo e outros lendários jogadores, conquistaram a primeira Copa do Mundo, oito anos depois da seleção sofrer o Maracanazo com o Uruguai. Voltava a auto-estima, que contagiou o grupo de esportistas habituado a viver o futebol numa época em que Atlético e Goiânia reinavam na capital. Os dois clubes faziam os principais clássicos da cidade e sabiam que dois novos times pretendiam roubar a cena. Eram eles Goiás e Vila Nova.

Mas Cheife, Juarez e Ibsen também queriam emplacar um novo time e então eles se proclamaram presidente, vice-presidente e secretário, respectivamente, e assim registraram a primeira diretoria do Aliança, no Cartório do 4º ofício, no Centro, mas apenas em janeiro de 1962.

quinta-feira, 17 de julho de 2008

A Estréia

Depois de algumas semanas, duas se não estiver errado, comecei a movimentar o blog.

A demora, ao meu ver, tem um bom motivo. Queria começar com os "capítulos" do meu TCC sobre o Aliança FC, clube de Goiânia que se destaca no futebol feminino.

Ao longo dos dias, colocarei alguns trechos do trabalho. Ao final, toda narrativa poderá ser lida aqui.

É claro que, por se tratar de um blog, em meio a essas narrativas alguns assuntos ganharão espaço entre um post e outro.

Afinal, esse é um espaço para jornalismo e histórias. Tudo com algumas digressões e imersões. Não necessariamente nessa ordem.

Um abraço!