domingo, 21 de dezembro de 2008

Breve constatação de 2008


Descobri que meus dias tendem a começar melhores quando dou de cara com a minha cozinha limpa.

Barbaridade!

Desaforo

Eu não tenho culpa das pessoas nem sempre responderem aquilo que eu pergunto.

Mas um dos meus papéis é o de perguntar, nem que seja para gravar uma resposta "genérica", pra não dizer "canalha".

E muitas vezes, para consegui-las, é preciso encarar coisas do arco da velha, como pães e circos dominicais, em meio a uma bagunça infernal, regada a histeria coletiva sem limites, em que mães usam crianças que mal falam para tentar chegar perto dos ídolos.

Pois foi nesse cenário que tentei fazer uma entrevista.

Não deu certo na primeira tentativa. Acostumado, parti para a segunda. Entre elas, uma bronca por ter "tentado furar os outros veículos".

Como se a culpa da bagunça e da lerdeza alheia fossem minhas.

Mesmo assim, a segunda chance veio. E em seguida, a pergunta sobre política, com a mesma resposta usual. Mas como nas reportagens o usual costuma ser necessário, gravei.

Depois fiquei no movimento, observando.

Até que um assessor, bem intencionado e solicito, me ameaçou "informativamente" e disse que poderia colocar dois seguranças atrás de mim, já que insistia em perguntas que o entrevistado não estava a fim de responder.

Na hora dei um sorriso e pedi três. De quebra, ouvi que ele colaborava com todo mundo e que eu tinha que colaborar também. Mais uma vez, dei outro sorriso. Por dentro eu gargalhava e pensava: grande audácia. Para não dizer covardia.

Mas o que vi foi um desaforo. Desses que acham que pautas devem ser cumpridas para Joelma e Chimbinha.

Quando você pensa que aconteceu de tudo - Aliança FC

Em 2006, mais experiente e já uma referência para o time, uma surpresa muda a vida da zagueira do Aliança. Uma gravidez, no começo do ano, faz com que as metas de preocupações tenham que ser revistas. No início, ela tentou adiar a notícia. Quando passava mal, a explicação era uma gastrite. A mãe retrucava, desconfiada, dizendo que era uma “gastrite de perninha”. Tudo isso em meio ao abandono do namorado, que sumiu ao saber da gravidez. Dele a futura mamãe contou apenas que era um tatuador e que em 2008 eles devem ter uma audiência na Justiça para definir pensão alimentícia.

A barriga crescente permitiu que Patrícia defendesse a equipe até os três meses de gestação. Depois, à distância, era preciso cuidar da filha, que nasceu no dia 1º de outubro, depois de uma aventura épica. Depois de duas horas e meia de parto normal, Paola precisou de oxigenação. “Passei a noite conferindo a respiração da neném”, lembra a mamãe, que depois do nascimento da filha ainda precisou fazer mais força. É que a placenta tinha grudado no útero.

sábado, 20 de dezembro de 2008

Não tão fácil quanto parece - Aliança FC

Lá, no entanto, as promessas não foram tão condizentes com a realidade. Morando em uma república, Patrícia e Mar Selly viviam de treinar e estudar. Só que a alimentação era basicamente ovo, arroz e feijão. “Não comia carne”, diz aos risos, hoje. Mesmo com a alimentação desequilibrada, ela garante que chegou aos 64 quilos de massa muscular, depois de muito esforço físico nos treinos, que lhe renderam um estiramento na coxa direita.

Foi preciso ficar um mês de molho. Patrícia então veio para Goiânia. A família, preocupada, aconselhava a filha a retornar, a buscar atividades seguras. Mas o idealismo da zagueira, na defensiva, a fez voltar. No retorno, uma infeliz coincidência. Em 2004 o time, foi desfeito. Com uma crise financeira, os salários dos funcionários não foram mais pagos e o clube acabou fechando as portas.

De volta a Goiânia, o apoio da família e do Aliança foram fundamentais. Patrícia recorda que Luiz Cezar ficou um pouco chateado com a maneira como ela trocou de cores. “Ele achava que a gente tinha abandonado o time, mas depois viu que precisava da gente. Na verdade ele quis, no bom sentido, que a gente quebrasse a cara”, lembra a jogadora, que hoje reconhece o pressentimento dos pais. “Eles diziam que estava fácil demais”.

Muitas voltas em pouco tempo - Aliança FC

O empenho e a “raça”, com uma coincidência muito inesperada levaram a zagueira goiana ao auge de sua trajetória no esporte. O técnico Paulo Gonçalves, que era de Goiânia, comandava a seleção brasileira de futebol feminino. E para acertar o time que iria às Olimpíadas de Sydney, em 2000, ele convocou jogadoras de vários estados. Um delas foi Patrícia. A convocação foi informada por Luiz Cezar, na escola da jogadora. Difícil foi segurar a euforia. “Eu queria contar, mas não podia, já que não era certeza que a gente ia treinar em Teresópolis. Só que eu ligava para as minhas amigas e perguntava se elas estavam bem. Aí elas perceberam que tinha algo”, recorda Patrícia, que depois embarcou pela primeira vez em um avião e foi para na Granja Comary, onde fez jogos-treinos com times de base do Flamengo e Vasco.

A estada no Centro de Treinamento da Confederação Brasileira de Futebol durou um mês, que foram bem aproveitados até surgir uma lesão no tornozelo. Um acidente de trabalho, mas que a tirou do time.

De volta a Goiânia, era preciso retornar ao cotidiano, que misturava futebol, aulas e a ajuda no comércio da família. No supermercado Oriente, que hoje é um dos poucos que vende secos e molhados, como informa a mensagem do muro, Patrícia volta a ser a filha de Manoel Pereira dos Santos e Teresa Alves dos Santos, ajudando-os nas entregas da panificadora. Para isso ela levanta às quatro da manha, para que no máximo até 6h20 o pão esteja pronto e possa ser entregue em outros estabelecimentos. Depois o tempo era dividido entre o estudo e o futebol.

Até que um dia o Juventude, de São José do Rio Preto, convidou Patrícia e a colega, Mar Selly, para jogar em campos paulistas. A proposta era irrecusável. Jogar numa equipe estruturada e com uma bolsa na faculdade de Educação Física da Unirp a levou, em 2003, junto com a amiga, para a aventura fora de Goiânia.

Promessas

Acho que descaracterizei esse blog porque, por alguns dias, considerei que a mudança de emprego meu deu novos ares para trabalhar, escrever, reportar.

Mas é bom sempre dar uma renovada nesses ares.

Por esse motivo pretendo voltar a contar mais histórias.

PS: Agora que fui ver que passei de mil visitas. É algo a se comemorar!

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Chuvas em Goiânia


Essa foto é da rua Emílo Póvoa, no Jardim Megale, em Goiânia. Emílo Póvoa, só para registrar, foi desembargador e presidente, na década de 1920, do antigo Superior Tribunal de Justiça de Goiás, atual Tribunal de Justiça de Goiás.

A "vista" acima é de um resto de alvenaria de uma casa, que foi destruída por estar em uma área de risco da capital. Mas atrás dela ainda existem outras casas. E outras centenas de moradores.

O detalhe curioso é que várias dessas residências tinham adesivos de vereadores nas portas, numa clara demonstração de que um voto é uma demonstração de esperança.

Mas vi que essa esperança é vazia. Uma senhora, por exemplo, garantiu que votou em Iris Rezende em todas as eleições que o prefeito disputou. Sempre com o pensamento de que ele a tiraria de lá. Hoje, em meio ao cheiro de esgoto, ela diz estar triste com o peemedebista.

Enquanto lamenta a decepção com os candidatos que já passaram por lá fanzedo campanha, ela conta que parou de trabalhar para cuidar dos filhos e dos netos.

O motivo é a chuva, que aumenta o volume de água nos córregos Capim Puba e Botafogo. E a criançada vai lá espiar a correnteza e jogar uma pedrinha na água, que é levada num passe de mágica. Sei como é isso. Já joguei galho de árvore em rio apenas para vê-lo sumir.

O problema é que caa vez mais a gente quer chegar perto. E é nessas horas que a água vem e pode dar um caixote. Sim, caixote também pode vir no rio e não só no mar.

Isso sem falar na falta de árvores, que aumenta a erosão. E vai levando o barranco. E faz com que a casa seja destruída. E aí resta ao repórter fazer matéria, num misto de exploração do sofrimento alheio e de preocupação social, já que infelizmente esse pessoal rende pauta mais quente quando chove.

Mas eles têm sua parcela de culpa, já que os adesivos de campanhas mostram que preferem palavras de eleição e não cobram atos de governo.

Foto: Tiago Bênia

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Coisa do povo


O Aliança empatou por 3 a 3 com o Cresspom (DF) e se classificou para a segunda fase da Copa do Brasil de Futebol Feminino. No primeiro jogo, em Brasília, as goianas venceram por 2 a 0.

Agora as meninas treinadas por Luiz Cezar vão enfrentar o time das Moreninhas.

O primeiro jogo será em Campo Grande, na próxima terça-feira.

Já a partida de volta será no dia 15, um sábado. É o dia da proclamação da república.

República vem do latim res publica e significa coisa do povo.

Por esse motivo, quem gosta de esporte deve tomar parte nessa coisa e torcer pelas meninas do Aliança, principalmente os moradores de Campinas, já que o jogo será no Estádio Antônio Accioly, às 17 horas.

Este blog, que publica em capítulos a história do Aliança, deixa aqui os parabéns às meninas e à comissão técnica, que terão um novo desafio pela frente!

Foto: Divulgação / Aliança FC

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Identificação - Aliança FC

A garota estava se acostumando ao esporte e aos poucos se identificava, para a preocupação dos pais, que não gostavam de imaginar a filha como jogadora. Apesar disso, eles não proibiram. Com essa liberdade, surgiu o convite para treinar com o Aliança, no campo de areia, num parque ao lado do zoológico de Goiânia. “Eu não queria ir, achava que era difícil”, lembra Patrícia. O motivo? O próprio clube. “Sempre sonhava em jogar lá. Via o Aliança no jornal e pensava se não ia jogar no time delas”.


Ela então foi ao treino e seu o desempenho agradou ao técnico Luiz Cezar, que no mesmo dia foi à casa dos pais de Patrícia para pegar a autorização, por escrito, para que ela defendesse o time.


Com quase 14 anos, ela disputou seu primeiro campeonato estadual, em 1998, quando a equipe foi campeã. Naquele tempo, Patrícia era lateral infantil, mas seu futebol aparecia no juvenil e no adulto. Com a satisfação de quem realiza um sonho, 15 anos ela já era titular do time principal. “Sempre procurei ajudar o time e me considero até hoje uma jogadora raçuda”, afirma a atual capitã.

Ótimo texto num ótimo blog

O texto abaixo é um orgulho para mim. Além de ter sido escrito pela Raquel, é de uma perspicácia fantástica.

Digo mais: esse texto de blog é melhor que muito ensaio e artigo de jornal que saem por aí.

Não deixe de ler.

E não deixe de comentar no blog Nada Por Dizer!

Os anos se passaram... e eu ainda não aprendi a fazer arroz!!


O padre, a quem fiz minha primeira e única confissão religiosa na época da catequese, bem que me alertou: “Minha filha, você é uma mulher! Mulheres devem aprender a cozinhar, a bordar, a tocar piano...Mulheres devem aprender os afazeres de um lar!”. Talvez eu tenha me afastado da Igreja (no sentido restrito e no sentido amplo do termo) porque aquela definição do padre nada tinha a ver comigo. O que não me impedia de ter a noção, desde aquela época, que a minha principal missão no mundo era saber ser mulher.

Hoje, percebo que o padre não estava tão descontextualizado quanto julguei. Aliás, a que estava fora do contexto era eu! E ainda estou, mas dessa vez não me silenciarei diante das inquietações que a questão causa.

Escreverei aqui, brevemente, sobre as quatro mais recorrentes instruções atuais sobre o que é ser mulher na sociedade contemporânea e as suas (in)conseqüentes confusões:

1ª- A mulher deve ser independente: frase que escuto desde criança, herança da crise aguda (redundância necessária!) do feminismo. A mulher deve se formar intelectualmente, de modo a não depender de mais ninguém, em nenhum aspecto. Antítese compreensível para aquele momento histórico, em que a tese era a de que a mulher devia ser submissa ao homem. Ressalto que, entretanto, a síntese de tal relação dialética ficou por vir. E o título de mulher-plenitude não pôde ser encontrado nas super poderosas, porém carentes representantes deste modelo de feminilidade.

2°- A mulher deve se casar: por mais contraditório que possa parecer, é a frase da moda, em pleno século XXI. Assustadas com o excesso de independência da geração anterior, naturalmente confundido como fracasso emocional, as mulheres jovens da atualidade sentem medo de se tornarem “a solteirona” da turma, “a encalhada”. As festas de casamento passaram a ter força equivalente ou até superior à união em si, tornando-se cerimônias de “atestado de competência feminina”. As noivas, orgulhosas de si, arremessam seus simbólicos buquês às não-ainda-mulheres, as solteiras. Momento de glória às vitoriosas recém-casadas! Entretanto, a festa acaba, bem como a ilusória plenitude feminina. E a sensação de quase-mulher volta, até...

3°- A mulher deve ter filhos: ...até o momento em que ser mãe se torna função pré-requisito para a aquisição do título de mulher. As quase-mulheres perseguem aquele antigo sonho de ter filhos, na sua busca incessante pelo tal atestado de competência feminina. Este momento é pesado para todas, mas para as casadas a cobrança é ainda maior. E pobre daquela que ousa confessar não sentir vontade de levar a família adiante! Esta é a quase-mulher mais distante de adquirir o seu título, aos olhos da sociedade.

4° - A mulher deve ser a matriarca: merecem parabéns as quase-mulheres que chegaram neste ponto! Foram esposas, foram mães, foram avós...mas não obtiveram o almejado título de mulheres-plenas, pois não foram independentes!

E a pergunta que fica sem respostas: quem merece de fato o título de mulher, com toda a sua plenitude? Ninguém? Ou todas?

Penso que não se trata de título. Também não se trata de funções exercidas. O apaziguamento com o nome “mulher” e todas as suas implicações deve advir da simplicidade quase inalcançável de se conseguir ser quem se é, de se seguir o próprio desejo e ir adiante, seja lá para onde isso levar.

Enquanto também não sei bem o que fazer com isso, quem sabe não me dedico à aprendizagem de como se fazer um bom arroz!!

domingo, 19 de outubro de 2008

Pés no chão - Aliança FC

Mãe e filha praticamente não se desgrudam. Em casa, quando Patrícia não está no trabalho ou no curso técnico em segurança do trabalho, no Senac, as duas estão sempre coladas. Nas entrevistas, por exemplo, foram poucos os momentos em que a pequena não mostrava uma foto ou apontava a mãe nos recortes de jornal. Pela idade, Paola não tem noção que as imagens e medalhas são frutos simbólicos, mas não menos significativos, do caminho trilhado pela mãe no futebol feminino.

O começo foi aos 13 anos. Acostumada a jogar bola na rua de casa com o irmão e alguns amigos, Patrícia foi ao ginásio público do Balneário Meia Ponte, bairro onde ela mora, na região norte de Goiânia. Na quadra de futsal, descalça, ela chamou a atenção de um senhor. Era Almir Macedo, um dos pioneiros do futebol feminino em Goiás. Na época ele estava no Vila Nova e para lá foi a menina Patrícia.

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Camisa 3 - Aliança FC


E dentro das quatro linhas, a referência, a “filha” mais velha, é Patrícia Pereira dos Santos. Dos seus 25 anos, 11 foram com a camisa do Aliança. Atualmente ela é a capitã do time. Zagueira, ela veste a camisa 3. Como o número, ela também é uma jogadora ímpar.


Com um biótipo magro, “das pernas finas”, como ela se auto-define, Patrícia é uma mulher que antes de se vestir não aparenta ser jogadora de futebol. O saião rodado, usado freqüentemente, e os cabelos coloridos de roxo, sem falar no sol tatuado nas costas, destacam Patrícia no grupo, antes dela e das colegas vestirem o uniforme. O visual, entre o hippie e o feminino, tem outro detalhe que a acentua ainda mais seu diferencial – a filha Paola, de quase dois anos, que está sempre nos treinos e na maioria das partidas disputadas.

Foto: Patrícia e Paola / Tiago Bênia (02.07.08)

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Convívio e personalidade - Aliança FC

Conforme prometido, retomo os capítulos do Aliança, time de futebol feminino que foi tema do meu trabalho de conclusão de curso em Jornalismo Literário.



Por essas e outras é que o casal não se preocupa muito com o que pensam e o que falam deles em corredores de federação e encontro de dirigentes. “Quem tem que gostar de mim é a minha família”, resume o pai de Ana Júlia, Juliana e Fabiana, casado com Patrícia há 18 anos e que dirige, em todos os sentidos, uma família chamada Aliança, que, aliás, já é considerada grande demais para ficar restrita ao sobrado do Gentil Meirelles. “Tá ficando muito grande para nós. Por isso temos que correr atrás de parceiros”. Mas as dificuldades não freiam o Aliança. “Enquanto tiver tocando com dignidade, com respeito, motivado e valendo a pena, a gente continua”. E o ânimo vem de um grupo com 70 jogadoras, que Patrícia define bem. “Acaba que vira uma família com algumas jogadoras. A gente vive com elas”.

De volta (de verdade)

Hoje de manhã eu fui ao Jardim Curitiba I para visitar o Conselho Tutelar da Região Noroeste. Depois de circular pelas ruas de Goiânia para informar sobre o trânsito da capital, cheguei ao local da pauta.

Fui informado de que havia um protesto da população, mas ao chegar lá vi que alguns estudantes estavam no prédio do conselho para dar um abraço simbólico no local.

O motivo: a falta de estrutura para que os conselheiros tutelares pudessem atender a região.

Segundo o presidente Pedro Carlos Dias Silva, eles não têm carro e dividem um espaço com um posto de atendimento do Banco do Povo. Depois, ele se queixou da qualidade do local.

Uns passos e alguma curiosidade depois, vi que realmente o espaço é dividido com o órgão de fomento da economia municipal, bem diferente do que a Secretaria de Assistência Social insistia em repetir para convencer os ouvintes da CBN.

Na entrevista, a secretaria atacou o trabalho dos conselheiros e os acusou de falta de capacidade. Infelizmente nesse aspecto eu não pude fazer checagem (neste dia, segunda), mas tendo a acreditar que sem carro e apoio de profissionais capacitados, fica complicado trabalhar lá.

Mas muitas vezes imagino que problemas desse tipo são culpa da própria população. Explico. Pelo que vi do "protesto", não havia mais nenhum outro morador do bairro ou da região. Curiosamente, a secretaria alega que já recebeu denúncias de "maus trabalhos" dos conselheiros.

Ora, se eles foram eleitos pela comunidade, porque não há uma fiscalização com relação ao trabalho no Conselho? E mais: se quem está ali foi votado pelos moradores, porque todos (votados e votantes) não fizeram um abraço maior para cobrar a prefeitura?

Nessas horas vejo que o jornalismo de declaração ainda tende a iludir muita gente. Ainda bem que a checagem foi feita. Reconheço que foi pouco, mas serviu para mostrar que a Secretaria de Assistência Social tentava ludibriar ouvintes. E também foi útil para dar um exemplo de que a população às vezes não usa o poder que tem.

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Mea culpa

A seqüência de tarefas e um pouco de preguiça afetaram as minhas postagens aqui.

Mas depois do turbilhão de novidades, voltarei a postar aqui.

Vou terminar os relatos de Buenos Aires e postar todos os "capítulos" do Aliança.

Enfim, vou usar este blog como ele deve ser usado.

E com muitas novidades a partir de agora. Especialmente com o trabalho.

Agora estou na CBN Goiânia. A freqüência é 1230 AM. Depois trago mais detalhes sobre isso.

Pelo menos voltei a escrever por aqui. E não pretendo perder o pique.

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Mania de grandeza

Mais uma vez, a Superintendência Municipal de Trânsito de Goiânia ignora sua função.

A viatura acima estava estacionada em local não permitido, em frente ao posto de atendimento do órgão, no Setor Serrinha. Bem perto dali, a uns 20 metros, fica uma garagem da SMT. Outro detalhe: havia vaga para que o carro fosse estacionado em local adequado, sem precisar ocupar o espaço do carro forte.

Acostumados a mudar o trânsito de surpresa e até a multar motoristas que não podem mais parar seus carros em frente ao prédio onde moram, a viatura da SMT dá mostra de que tem mania de grandeza.

Talvez o fato de ser sexta-feira (às 14h22) acabe deixando o trabalho menos formal. Ou seria informal mesmo?

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Comendo bem



A comida. Essa foi umas das principais características de Buenos Aires. Todos os dias, na hora do almoço ou na janta, eu e Raquel tínhamos dúvidas. Massa ou carne? Parrilla? Ou lanchinho rápido, num dos vários cafés espalhados pela cidade? A saída foi distribuir a alimentação de acordo com a caminhada.

Como andávamos em torno de 10 quilômetros por dia, tomávamos um café reforçado no hotel. A primeira refeição no Promenade não era um primor, mas gostosa para iniciar a trajetória de um casal que havia "comido pata de cachorro", como disse a Raquel, por várias vezes. Depois de perambular por parques, lojas e ruas, vinha a verdadeira dúvida: massa ou carne?

Nas duas opções tivemos boas e más surpresas. Na Recoleta, o restaurante La Strada nos deu o melhor nhoque da viagem, ao contrário do Il Buco, na 9 de julho, que foi careiro e nos serviu um prato que parecia massa semi-pronta da Yoki. Em relação às carnes, o La Cabaleriza teve um bife de Chorizo, mas foi caro em comparação ao Aires de Patagônia. Aliás, o Chorizo (que é uma carne suculenta, entre a picanha e a alcatra) foi bom até num fast-food regional, no Abasto Shoping.

A única falta que sentimos foi da salada. Lá, ela é um opcional aos pratos e não costuma ser muito diversificada. A mista, por exemplo, vem com alface, tomate e cebola. De qualquer forma, a idéia era experimentar novidades. E constatamos que aquele povo gosta muito de carnes e massas, dando menos valor a verduras e legumes.

Outra grata surpresa: lá pelas tantas, me lembrei que na Argentina, assim como no Uruguai, há refrigentantes de Pomelo, que é uma mistura da mixirica com o limão. Para a Raquel, o sabor foi de Cebion. Para mim, foi de lembranças de algumas férias na terra de meu pai - Santana do Livramento (RS), que leva a Rivera, no Uruguai.

Depois dessa experiência culinária, tínhamos outra tarefa: comprar algumas coisas para nós e buscarmos algumas encomendas feitas. Mas sobre essa história eu escrevo no próximo post.

Fotos: Nhoque ao molho pesto e Chorizo com salada mista / Raquel Ghetti

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Depois da pausa, a volta

Foram cinco dias de viagem. Mas pelas contas turísticas, o tempo foi de 5 dias e 4 noites em Buenos Aires. De longe, esta foi a melhor viagem que já fiz.

Um passeio corriqueiro para muitos, mas marcante para mim. Primeiras férias no trabalho, primeira viagem (internacional) com a Raquel, primeira experiência de ter que me virar (em casal) num país estranho. Mas posso dizer que foi ótimo.

Descobri que a cidade é intensa e tradicionalista, com um apego ao passado que pode trazer ensinamentos. Um desses exemplos é o clima de museu na Recoleta, bairro que recebe um cemitério que, apesar de fúnebre, mostra pequenas lições em cada "panteón" onde estão os antepassados de muitos argentinos. Há até um túmulo-memorial em homenagem aos combatentes da Guerra do Paraguai (ou da Tríplice Aliança?). E com um detalhe: o senso de preservação é intenso. Tanto é que havia uma equipe de restauração da Universidad de Buenos Aires realinhando uma sepultura de um personagem histórico que agora me foge a cabeça.

Mas o principal impacto mesmo começou pela porta do aeroporto de Ezeiza. Sem frio, respondi a Raquel que estava tranqüilo. O problema é que na hora que a porta nos mostrou o que havia de fora, senti que a ceroula que estava na minha mala me faria pagar a língua. Era um dia de sol, por volta das 12 horas. E o termômetro marcava 13ºC.

No caminho, muito movimento na autopista em direção a Buenos Aires e um detalhe curioso: nos gramados largos, próximo à estrada, muitas famílias. Pais, mães e crianças montavam pique-niques e corriam com cachorros ou jogavam bola. Era uma cena curiosa em meio a uma sensação de presença brasileira, já que pelo caminho se viam muitos out-doors da Claro, carros como Gol, Fox e até Celtas (que por lá se chamam Suzuki Fun), sem falar que o carro que nos levava trazia no vidro o lembrete de que foi "fabricado no Brasil".

A intenção, no entanto, era nos desligarmos daqui. Era viver as melhores sensações que uma viagem à dois pode proporcionar. E descansar nossas cabeças, abaladas por preocupações com emprego, família, contas, moradia e etc.

Por isso nossa estratégia inicial era simples: tentar nos envolver com a cidade ao ponto de não parecermos tanto turistas. Por esse motivo caminhamos bastante e a única coisa que nos denunciava (visualmente) era o mapa que eu carregava. Mas quando ele ia para o bolso, ninguém vinha nos oferecer tour de compras, visitas a lojas de roupas de "cuero" ou shows mirabolantes de tango.

Ficávamos praticamente camuflados. Tá que pretendíamos comprar alguma coisa. Mas saímos daqui com a intenção de aproveitar a cidade não como um paraíso de sacolas cheias só porque nossa moeda é mais forte. A idéia era andar, ver, escutar, sentir e, é claro, comer bem.

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Pausa de uma semana


O cético nunca sabe se o copo está meio cheio ou meio vazio.

Eu, em dúvida, não sei se minhas férias estão na metade ou se estão perto do fim.

Otimista, prefiro acreditar que elas estão na melhor parte, já que passarei a semana em Buenos Aires com a Raquel.

Espero voltar de lá com boas percepções sobre a cidade e sobre o país, que só conheço por TV, especialmente no futebol. E por falar em bola rolando, estarei lá quando o Brasil enfrentar a Argentina na semifinal das Olimpíadas de Pequim.

Tentarei aproveitar essa troca de torcidas, além, é claro, de aproveitar o máximo que puder. De preferência com muitas fotos.

Por isso, até o fim de semana que vem não acredito que devo postar nada por aqui.

Mas novidades virão.

domingo, 17 de agosto de 2008

Sinceridade em campo - Aliança FC

Por essas e outras é que o casal não se preocupa muito com o que pensam e o que falam deles em corredores de federação e encontro de dirigentes. “Quem tem que gostar de mim é a minha família”, resume o pai de Ana Júlia, Juliana e Fabiana, casado com Patrícia há 18 anos e que dirige, em todos os sentidos, uma família chamada Aliança, que, aliás, já é considerada grande demais para ficar restrita ao sobrado do Gentil Meirelles. “Tá ficando muito grande para nós. Por isso temos que correr atrás de parceiros”. Mas as dificuldades não freiam o Aliança. “Enquanto tiver tocando com dignidade, com respeito, motivado e valendo a pena, a gente continua”. E o ânimo vem de um grupo com 70 jogadoras, que Patrícia define bem. “Acaba que vira uma família com algumas jogadoras. A gente vive com elas”.

sábado, 16 de agosto de 2008

O ouro de Cielo e o olho dos oportunistas


César Cielo foi uma grata surpresa. Daquelas que dão gosto ao ver no noticiário, afinal é bom ver que um atleta olímpico surpreendeu todo mundo - até quem é do Brasil - e conseguiu uma medalha de ouro na Olimpíada de Pequim.

O significado da marca é muito extenso. Coloca o Brasil como possível potência na natação, mas ao mesmo tempo nos levanta uma pergunta: Como ele conseguiu?

Cielo foi um atleta esforçado. Na mesma toada da maioria dos brasileiros, que não têm um patrocinador fixo, o nadador conseguiu o maior objetivo - o ouro olímpico, apesar de que para alguns, o primeiro lugar, sem o recorde, não tem sido tão gratificante.

Mas para o Brasil foi. E para o Cesão, como é chamado, nem é preciso mais comentários.

A medalha de Cielo reforça as chances do Brasil, que podem ser melhor aproveitadas. E isso passa não pelo investimento isolado, como no caso do brasileiro, que foi para os EUA bancado pelos pais para alcançar o sonho de ser campeão olímpico.

O melhor caminho seria o investimento em infra-estrutura, como o próprio Cielo sugeriu ao repórter Bruno Doro, do Uol. Até porque, ele e outros nadadores já provaram que o potencial humano verde amarelo também é muito bom.

O grande temor é que esse resultado deve ser usado por confederação e comitê olímpico oportunistas, que já gastaram R$ 4 bilhões em um Pan-americano e tem liberados R$ 89,95 milhões para promover a Olimpíada de 2016, no Rio, além de alugar uma casa para divulgar os feitos brasileiros em tom de patriotada, como se têm visto no noticiário.

De forma alguma quero desmerecer a conquista de Cielo. Pelo contrário. Há muito tempo atrás, quando era um amador na natação, venci duas provas em Goiânia que me deram uma baita alegria. O que dizer então de um ouro olímpico?

O que preocupa mesmo é ver dirigentes e até mesmo noticiário se aproveitando de uma conquista literalmente heróica para promover o Brasil, mostrar que o esporte é bem tratado no país. Mas quando lembro de obras inacabadas, como o Centro de Excelência do Esporte, aqui em Goiânia, fico com vergonha de ver COB e CBDA pegarem carona em quem já superou outros sete nadadores no Cubo D'Água e tantas outras dificuldades para voltar com um sonho realizado de Beijing.

Ao mesmo tempo, também penso também que o desprendimento de César Cielo, que foi embora do país para treinar, poderia ser revertido se mais Centros de Excelência estivessem prontos, o que faria com que ele e outros nadadores não precisassem sair do Brasil para terem a preparação que merecem.

De qualquer forma, parabéns Cesão!

Foto: Jonne Roriz / AE

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Desabafo - Aliança FC

E essa preocupação vira um alerta até para as próprias amizades. Com muitos amigos na política, ele sabe que poderia ter realizado o sonho de ter um campo de 100 por 70 metros, com um vestiariozinho. Mas ele sabe que os “amigos” só lembram-se dele em época de eleição. “Não vou ser cabresto de ninguém”, afirma o direto treinador, que apesar de aparentar, não é um sujeito que não saiba ter jogo de cintura. “Reconheço o que fazem por mim. Se me tratam bem, trato bem. E ainda me dizem que sou puxa saco, sabia?”, indaga Luiz, ao mesmo tempo em que arrumava, mais uma vez, a já alinhada toalha de mesa.

Outro ponto em que há o cuidado é no trato com as jogadoras. Sem nenhuma vergonha, ele assume que dá preferência às meninas que crescem dentro do clube. Afinal, são elas que fazem do Aliança um time vencedor. “Gosto de dar moral para as pequenas que sobem, que são criadas dentro do Aliança”, afirma Luiz, que não dá ponto sem nó. “Categoria de base é bom porque a menina leva pai, irmão, tio... surgem torcedores. E família estando junto é mais saudável”, atesta Luiz.

Mas Patrícia, a esposa, lembra que o amadorismo, apesar de romântico e utópico em alguns momentos, é uma condição de risco. “A gente perde demais não sendo profissional. Trabalha a menina e quando chega no juvenil, no adulto, no auge, ela recebe proposta e sai. Tudo se perde e não tem como segurar”, lamenta a ex-presidente e parceira fiel de Luiz, que com a maior abertura do mundo, diz que a falta de ética entre dirigentes e outros clubes embaraça o esporte amador, especialmente o futebol feminino.

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Na China, tudo pode ser adaptado

O texto abaixo é do Blog do Birner e foi traduzido pelo ótimo Xico Malta

Liu Yan, a bailarina vítima da cerimônia de abertura

Le Monde
Tradução: Xico Malta

Um trágico acidente ocorreu no dia 27 de julho, porém sem nenhuma divulgação nesses últimos dias. Liu Yan, bailarina clássica de 26 anos, conhecida do público chinês, caiu de uma altura de 3 metros durante o ensaio da cerimônia de abertura, quando estava saltando de um rolo de papel virtual em direção a uma plataforma móvel na coreografia da Rota da Seda.

Uma diferença de um segundo entre as duas bases fez com que ela perdesse o equilíbrio.

Os médicos que operaram a bailarina por seis horas, não conseguiram recuperar os nervos de sua coluna.

Liu Yan está com paralisia nas duas pernas.

Por que festejar?

A notícia publicada no dia 8 de agosto, em um jornal local, o de Yangtse, com a foto da jovem bailarina mostrando o “V” da vitória em sua cama de hospital, está fazendo enorme alvoroço nos blogs.

O cineasta Zhang Yimou, mestre da cerimônia de abertura, considerado por muitos a versão moderna de Leni Riefensthal, é acusado de ter sacrificado vários artistas no altar de uma grandiosa mise em scène.

Os comentários nos blogs criticam a essência da cerimônia: “o palco estava vazio e cheio ao mesmo tempo, pois nossos governantes preferem acumular grandes massas em vez de utilizar a emoção como princípio básico de um espetáculo”.

“Quiseram transformar esta cerimônia no espetáculo mais caro do mundo, com o objetivo de surpreender o ocidente e o mundo inteiro. Mas num país onde a metade da população não tem a garantia de ter uma moradia, nem seguridade social, nem educação, por que festejar?” desabafou o blogueiro Songlin.

Lidando com a frustração - Aliança FC

Um caso exemplar dessa cautela é a frustração com o campo do Aliança. O time não possui um local próprio em que se possa treinar e mandar jogos sem depender de favores. Sem rodeios, Luiz garante que se seu clube tivesse uma área própria, o futebol feminino goiano seria outro. Mas lidar com desapontamentos faz parte da vida. “No futebol como na vida, nada pior do que bolas na trave. Porque isso significa uma atração fatal pela frustração e pela impotência”, ensinou Roberto Damatta. Por isso, Luiz é enfático ao negar o envolvimento inconseqüente com o clube. “Não posso vender o que tenho para comprar um campo”, alega o treinador, que ainda assim gastou, só no primeiro semestre de 2008, R$ 8,8 mil com despesas de arbitragem, material esportivo e viagens do time.

Mesmo assim, os gastos e os apertos não fizeram Luiz, um católico fiel em São Benedito, cair em tentação pelas promessas fáceis de melhorar seu clube. O Aliança, já recusou proposta para invadir área pública para depois ser ajudado por uso capião. “A lei protege, mas não é bom”. Com essa certeza é possível fugir da dívida de favores e preservar a independência e o principal: a credibilidade. “Não posso correr o risco de ser enxotado de um lugar. Eu tenho um nome a zelar”, diz com o dirigente, com voz firme, típica de um palestrante, só que na cozinha de casa.

De volta

Fazer a matéria sobre o Dodge Journey foi um tanto cansativo.

O carro é bom, a estrada tinha uma ótima pista e o clima ajudou.

Mesmo assim, dirigir 180 quilômetros sem um propósito bem definido é algo que se torna entediante, especialmente depois de uns 40 ou 50 quilômetros.

O bom é que agora posso retornar com os textos do Aliança. E também planejar uma avaliação, com algumas fotos, sobre o Dodge Journey, que por hora poderá ser visto aqui.

domingo, 10 de agosto de 2008

Dias de férias (?)

Estou em viagem.
Vim dar um abraço no meu pai e em seguida sigo para Campos do Jordão, para fazer uma matéria para o jornal O Popular.
Por isso, até terça-feira não terei contato com o blog.
Mas depois volto para comentar o trabalho do jornal, onde pretendo fazer uma análise de um carro.

sábado, 9 de agosto de 2008

Do campo para casa - Aliança FC

De volta ao sobrado, é hora de reorganizar os materiais e atualizar os registros do treinamento e tentar aproveitar um pouco do fim de semana, além de não esquecer a rotina fora do Aliança. Mas isso só depois dos uniformes lavados e as anotações do treino saírem da pasta para o armário.

Essa é a rotina – sem jogo – do Aliança. Em meio aos treinos, registros e reuniões na federação, Luiz Cezar tem outra responsabilidade: a ambulância do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Goiás. O emprego surgiu por meio do Projeto Rondon, em 1989. Lotado no transporte da UFG, Luiz já passou por vários departamentos até chegar ao HC, onde havia uma vaga de plantonista. O regime de trabalho, um dia inteiro e dois de folga, era ideal para conciliar as obrigações familiares, o emprego “em primeiro plano”, como faz questão de destacar, e a gestão do Aliança.

A divisão do time com a ambulância, no entanto, não esquenta o treinador. “Graças a Deus tenho um bom emprego e uma boa família”, declara Luiz, que se mostra um cara de bem e que sabe em quem confiar. Até porque, no meio do futebol, por mais que Gérson odeie, a lei da vantagem está enraigada em tudo.

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Postura um tanto agressiva - Aliança FC

No intervalo, o recado é repetido de forma mais amena. Mas nem por isso com menos insistência. A intenção de Luiz é deixar bem clara a importância de se treinar com esforço e paciência. “O trabalho é de quatro a cinco anos para chegar bem no adulto”, emenda Luiz, que subiu a voz numa clara intenção de alertar jogadoras e familiares.

Depois do intervalo, o time melhora e passa a jogar com mais empenho, apesar dos gritos de Luiz sugerirem que em campo há uma catástrofe. E por pouco não houve um problema sério. Atrás no placar, os meninos do Goiás começaram a endurecer nas divididas. Entre apelos e reclamações a um árbitro molenga, Mar Selly, umas das jogadoras, acerta um soco na orelha de um garoto do Goiás. A tensão cresce, com a possibilidade de briga. Mas o que acontece é o fim do jogo, antes do tempo, com uma gritaria de um ou outro corneteiro que queria ver pancada.

Ao final, Luiz reúne as meninas e dá uma bronca pelo descontrole do time. No mais, ele é compreensivo com os motivos da briga. Após os informes finais, o treinador anota em um diário de classe a presença de cada jogadora. Só então elas vão ao vestiário para trocar de roupa. Com os uniformes devolvidos e os materiais guardados na Variant, é hora de voltar para casa. Algumas ganham carona de Luiz e Patrícia até o terminal de ônibus. As outras se despedem e deixam o Pite de bicicleta, moto e ônibus.

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Ensinando a jogar - Aliança FC

Dentro de campo, o treinador é auxiliado por Zezinho, um senhor baixinho, barrigudo, com cabelos e bigodes brancos e uma voz forte, que além de orientar posicionamento, é responsável pelo aquecimento das moças. Patrícia também costuma ir, mas no caso dela é preciso haver uma conciliação entre as atividades de mãe, dona de casa, esposa e professora de educação física na Escola Municipal Rui Barbosa. Quando dá certo, ela vai no outro carro, mas com um uniforme do Aliança e uma chuteira preta calçada.

Em campo, a orientação é complicada. “Nunca vi jogador de futebol que não balançasse a cabeça afirmativamente quando o técnico pergunta se entendeu. Depois eles vão e fazem tudo diferente. É preciso insistir e insistir”, escreveu Sérgio SantAnna, no conto Na boca do túnel. O mesmo, óbvio, ocorre com as meninas do Aliança. E em meio ao som de caminhões de lixo e algumas motos de motocross que passam bem próximos ao campo, Luiz Cezar e Zezinho gritam, berram, esgoelam para as meninas. “Acham que tão bem no adulto, mas não dão conta desses meninos do Goiás”, esbraveja Luiz Cezar. O recado tem direção – os pais corujas, que reclamaram das filhas estarem na reserva e que estavam num dos poucos bancos do campo, assistindo ao jogo-treino.

Beijing e o "ensinamento" ao Brasil

O texto abaixo está no Blog do Sérgio Amadeu e merece uma lida atenta. É um sinal de que os Jogos de Pequim podem ensinar muito mais do que lições esportivas ao Brasil.

CHINA, AZEREDO E A SOCIEDADE DO CONTROLE


O sonho de muitos ciberacompanhantes e apoiadores do Senador Azeredo parece ser a implantação no Brasil do controle que a China realiza sobre a Internet. Lá é vetado o anonimato e a navegação livre na rede. Lá todos são identificados.

Somente jornalistas que irão cobrir as Olimpíadas é que poderão ter acesso livre à Internet. O resto do país continuará impedido de acessar alguns sites, domínios e pesquisar sobre determinados temas. A imprensa diz que tais restrições são fruto "do regime comunista", mas esquece que Bush, Sarkozy e outros governantes querem impor a lógica do controle total sobre a rede. Os "comunistas chineses" estão impondo sua lógica aos liberais-capitalistas?

Na verdade, está ocorrendo uma onda reacionária que ganhou força a partir de 11 de setembro e que passa a justificar todo tipo de ataque a democracia e a liberdade comunicacional como indispensável ao combate ao cibercrime e ao terrorismo. A Convenção sobre o Cibercrime, realizada em Budapeste, Hungria, a 23 de novembro de 2001, nasceu sob o clima do pós-11-de-setembro. É fruto do medo e da reação desequilibrada comandada pela dupla Bush-Blair. Resulta dos mesmos cálculos que levaram os Estados Unidos a invadir o Iraque.

A Convenção de Budapest foi assinada 43 paises, a maioria europeus, mais os Estados Unidos, Canadá e Japão. O Brasil não assinou a Convenção, o que demonstra o amadurecimento da nossa diplomacia diante dos apelos absurdos realizados em nome do combate ao terror. Não apoiamos a Guerra do Iraque e não apoiamos destruir direitos civis em troca de um ideal de segurança total.

Mas o Brasil sofre uma grande pressão para submeter a liberdade e a privacidade aos interesses das comunidades de controle. Recentemente, Alexandre Atheniense, Presidente da Comissão de Tecnologia da Informação do Conselho Federal da OAB, uma instituição que lutou contra a ditadura no Brasil, além de apoiar a essência do projeto do Senador Azeredo, disse que a sua aprovação abrirá a "possibilidade do Brasil aderir a Convenção de Budapeste". Leia o texto completo do presidente da Comisssão da OAB no site da Ada Digital.

A onda reacionária coloca em risco não só a liberdade, mas principalmente o ritmo de criatividade que a rede liberou em todo o mundo. Existem segmentos da sociedade que, por incompreensão ou por inconformismo, não admitem a interatividade plena e as possibilidades democratizantes e descentralizadoras da comunicação em rede. Querem restituir o mundo dominado e controlado do broadcasting. Clamam por uma sociedade de submissão e de controle.

Enquanto o Senador Azeredo faz apelos ao governo para aderir a Convenção de Budapeste, o deputado Carlos Bezerra (PMDB -MT) apresentou um projeto de Lei 3369/2008 que pretende obrigar que todos os computadores vendidos no Brasil tragam uma mensagem advertindo os usuários de que "o uso indevido da máquina pode gerar infrações que o sujeitem à responsabilização administrativa, penal e cível". "O alerta deverá aparecer na tela dos computadores no momento em que são ligados." O deputado afirmou: "É importante lutar contra o mito de que a internet é um ambiente onde tudo pode ser feito sem qualquer conseqüência."

Até seria engraçado se não fosse trágico. Não estamos em 1984, mas parece ser verdade que a vida imita a arte.

É preciso que o movimento pela democratização das comunicações atualize sua agenda. Os ataques à liberdade de expressão, criação e pensamento, cada vez mais serão apresentados como uma necessidade imperiosa de combater o crime e o terror.

Assine a petição em defesa da liberdade na Internet:
http://www.petitiononline.com/veto2008/petition.html

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Treino das meninas - Aliança FC

Localizado próximo ao aterro sanitário de Goiânia, o clube tem um campo surrado, com marcações quase invisíveis, e com poucos bancos para os reservas. As jogadoras ficam sentadas atrás de um gol, próximas ao garrafão d’água, onde conversam sobre baladas, namoricos, jogos de futebol, escola e família. Sobre o que se passa no treino, quase nada. A desatenção chateia Luiz Cezar, que não está sozinho nos treinos, coletivos, amistosos e jogos.

Dentro de campo, o treinador é auxiliado por Zezinho, um senhor baixinho, barrigudo, com cabelos e bigodes brancos e uma voz forte, que além de orientar posicionamento, é responsável pelo aquecimento das moças. Patrícia também costuma ir, mas no caso dela é preciso haver uma conciliação entre as atividades de mãe, dona de casa, esposa e professora de educação física na Escola Municipal Rui Barbosa. Quando dá certo, ela vai no outro carro, mas com um uniforme do Aliança e uma chuteira preta calçada.

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Dona Dirce e meu estágio no MP/GO

São mais de 3 horas da manhã. Depois da meia noite, minha obsessividade me indicou que eu estava oficialmente de férias. Bebi uma lata de cerveja e matei o resto de uma garrafa de vinho, tamanha a alegria.

E solitário, já que não pude sair com a Raquel, disparei a navegar na Internet. Clica daqui, atualiza o blog dali, parei no site do Texto Vivo, endereço que a Academia Brasileira de Jornalismo Literário mantém para divulgar suas atividades e a produção das turmas de especialização de Jornalismo Literário.

Hoje, resolvi explorar o endereço. Talvez por estar oficialmente de férias. Até que encontrei o texto da Ana. A Ana Cristina, assessora de imprensa do Ministério Público do Estado de Goiás.

Ela trabalha lá há não sei quantos anos. Mas um em um - 2005 - fui estágiário dela. E da Taís (Hirschmann, a gremista), e do João Sérgio, que batia as fotos, e da Cris (tiani, que foi ao show do Fábio Júnior - desculpa, chefa). Teve a Majô também. Mas ela não durou. E tinha o PGJ, o doutor Saulo, cuja prova do primeiro Jornal do MP eu risquei todinha. Com uma caneta vermelha, apontei erros de diagramação e português. O problema é que era na prova da gráfica, a versão final do procurador, que aprovaria ou não a impressão do jornal. E ele acabou recebendo um papel todo remendado de liquid paper. Um horror, que tirou a gremista do sério.

Nesse mesmo dia, na sala onde Taís se desesperava com o corretivo na mão, trabalhava uma senhora. Loira, dos cabelos curtos. Lembrava minha vó, Lurdinha. O nome dela era a Dirce. Ou Dona Dirce, como a chamo até hoje. Torcedora do Goiás, vez por outra a gente se provocava em dia de derrota do time dela ou em caso de vitória do Vila Nova, maior rival dos esmeraldinos, mas que servia de pretexto para provocar (carinhosamente) a dona Dirce.

Nessa história toda, muito resumida, eu me lembrei depois de ler um texto no site da ABJL. Lá, encontrei uma história que a Ana (Cristina) escreveu e que, de tão boa, foi escolhida para figurar na página.

Para lê-la, basta clicar aqui.

Vou confessar uma coisa: Como convivi com Dona Dirce, não sei porque não chorei. Mas é certo que vou aproveitar minhas férias para visitá-la, la no MP, onde espero reencontrar todos.

E quero dar um abraço na nela, que entre outras coisas, comemorou o meu aniversário com a turma toda da assessoria. E que também me disse que a Rosilda, lá da copa, fazia um café super gostoso.

Isso disparou meu vício no café. Mas talvez elas nem saibam direito.

Conversa no caminho - Aliança FC

No caminho, ele conta detalhes sobre a preparação de sua equipe para o Campeonato Goiano Feminino. Em meio ao barulho do motor, resfriado a ar, sua voz naturalmente alta se eleva para mostrar insatisfação ao saber, em reunião na FGF, que poderia jogar em um campo de terra. “Podia arrumar um gramado. Terrão acaba machucando as meninas. E a qualidade do jogo acaba não sendo a mesma”, argumenta. Depois ele revela que um dirigente da Aparecidense, ao ser questionado por ele se não montaria um time, disse que ia armar uma equipe para ganhar do Aliança.

Com uma risada irônica, o treinador-dirigente apenas comenta que “quem quer fazer um trabalho sério tem que ralar igual eu ralei”. Depois de alguns minutos e uma parada para comprar o gelo multiuso, usado para esfriar a água e tratar uma ou outra lesão que possa surgir, chegamos ao campo do Pite.

domingo, 3 de agosto de 2008

Caminho do treino - Aliança FC

Subindo as escadas e voltando à sala, se passa pela porta principal da casa, que fica num cruzamento. Separados pela porta da casa estão a sala e a garagem, onde ficam os carros da família – um Palio e uma Variant azul, 1974, usada para ir aos treinos do clube, dar caronas a algumas jogadoras e carregar dois sacos, com 28 bolas ao todo. Algumas estão novas e misturadas a outras sem couro. E todas são usadas nos treinos. Quando não estão próximas aos carros, que são guardados pela cachorra da casa, Sasha, as redondas ficam dentro de casa, num canto da sala.

E é sempre às quintas e sábados, além dos dias de jogos, que as bolas, algumas jogadoras, as filhas e Luiz Cezar entram na Variant para irem até o Pite Clube, na rodovia dos Romeiros, estrada que leva à Basílica de Trindade. O veículo, marcado pela ferrugem e sem cinto de segurança, com um adesivo de sócio do Aliança, leva o material básico para a prática das meninas. Num sábado, com o carro carregado, Luiz Cezar guia com calma, sem ultrapassar os 60 quilômetros por hora, para poder começar um jogo treino com o time sub-14, masculino, do Goiás.

quinta-feira, 31 de julho de 2008

Dúvidas sobre a camisa do Pelé

Há pouco vi uma prévia da entrevista do Juca Kfouri com o cineasta João Moreira Salles, na ESPN Brasil.

Como já citado aqui, ela será exibida no sábado.

No aperitivo, quando ele comentou que a camisa do Pelé não havia chegado, fiquei confuso e com algumas dúvidas. Ele afirmou que é preciso resolver um assunto burocrático, que é o pagamento de uma taxa de importação pela compra de ano de R$ 220 mil feita numa cada de leilões inglesa. Diante dessa situação, algumas dúvidas rondaram minha cabeça:

- Por que vão cobrar imposto de uma camisa de time que foi fabricada aqui? Até onde sei, os uniformes das equipes saem dos respectivos países em direção a uma copa do mundo. E ela estava aqui, com o Zagallo, que espertamente a vendeu.

- Por que João Moreira Salles fez questão de revelar esse impasse da compra na TV? Imagino que alguém capaz de pagar R$ 220 mil em uma camisa pode muito bem buscá-la em Londres e trazê-la na mala, discretamente, sem que ninguém percebesse.

- Para finalizar: por que ele não trouxe a amarelinha na mala e divulgou o feito com ela aqui, guardada em algum cofre (talvez um do Unibanco)?

Diante dessas dúvidas (ou curiosidades), fico com a sensação de que algo há por trás dessa história. Uma coisa é certa: tentarei ver a entrevista para conferir se nenhuma informação surge.

Foto: Luís Vita / Cineweb

Noite debruçada



Goiânia, 30 de julho de 2008. 6h20 da manhã. Nessa hora eu consegui estralar a coluna e bati essa foto, da janela do quatro que se tornou escritório, em meu apartamento.

Uma hora depois, todos os trabalhos da especialização em Jornalismo Literário estavam prontos. O último a ser finalizado foi o ensaio.

Depois de varar a noite com as costas arqueadas e com corpo e idéias debruçados sobre o teclado, fechei o ensaio, cujo tema é o uso do blog no jornalismo literário, mas que pode perfeitamente se aplicar ao jornalismo, como já fazem alguns colegas, como o Rodrigo e o coletivo Plural Blog.

Com o trabalho e depois de dormir durante a manhã inteira, numa troca de turno, passei o trabalho para a revisão carinhosa e sempre presente (em todos os sentidos) da Raquel, que recentemente aderiu à blogosfera com o Nada por Dizer. Aliás, sou suspeito para comentar, mas o blog é de uma preciosidade de garota, que tem bom texto e uma veia psicanalítica fascinante. Um orgulho. Um blogaço! Que começa a deslanchar.

Enfim, sou um pouco relutante em fazer do blog um "diário". Mas esta quarta-feira valeu à pena. E não poderia deixar de fazer esse registro, afinal, o TCC da especialização e este blog nasceram juntos, após uma orientação do professor Edvaldo num dia em que até chuva (em cima da bicicleta) eu tomei.

Roupa de treino lavada em casa - Aliança FC

Quando não recebe churrascos e outras festividades, o espaço é como boa parte dos quintais. Há um varal, que seca as roupas da família e os uniformes do time, que são lavados num tanquinho por Patrícia. Depois de secos, um processo que não demora, por causa do vento e do tempo predominantemente seco, eles são guardados em três armários de aço, que ficam quase imperceptíveis por causa do grande espaço. Dentro ficam uniformes, meiões, bolas, malas, chuteiras, caneleiras, bombas de encher bola e até algumas chuteiras que são dadas a uma ou outra jogadora.

Esse material é todo comprado pelo casal, em promoções achadas em lojas de material esportivo. É o caso de alguns pares de chuteiras que estão no armário. Modelos simples, elas estão encostadas por algumas vaidades do time. “Hoje as meninas querem chuteira de 300 reais”, lamenta Luiz ao saber que os calçados são preteridos por conta de modelos na Nike ou da Adidas, que acabam tendo a mesma função que um da Finta ou da Mattaus.

quarta-feira, 30 de julho de 2008

Clube familiar - Aliança FC

Acostumado a mudanças, o clube, por volta do ano 2000, passou a ser administrado na casa no Gentil Meirelles, construída por Luiz Cezar e Patrícia. A obra, no entanto, teve marcas mais fortes do Aliança. Além do quarto amarelo e preto dentro da residência, foi criada, no sótão, uma espécie de sala de concentração e preleção antes dos jogos. Após entrar em casa e depois de três lances de escada, se chega a um espaço amplo, de teto baixo, com estrutura de uma laje, onde as jogadoras ficariam agrupadas antes de jogos importantes.

A proposta, no entanto, não vingou. Luiz parece ter achado melhor deixar as jogadoras mais livres. O time não era profissional e a casa já abrigava tanta coisa do clube que talvez fosse melhor não aumentar essa mistura.

Essa separação, no entanto, parece inevitável. Voltando à sala e seguindo os degraus abaixo, se chega ao quintal do sobrado. O local, onde o vento corre bastante, por causa da região onde está a casa, tem um espaço grande, com piscina, churrasqueira e um criatório de pássaros, todos registrados no Ibama. Mas onde o Aliança se faz presente neste espaço? Simplesmente a área é utilizada para receber festas e encontros do clube, numa oportunidade em que Luiz e Patrícia, além das três filhas, recebem as jogadoras e seus familiares, numa chance de reforçar o ambiente familiar da equipe.

terça-feira, 29 de julho de 2008

Camisa do Pelé


Tá no Blog do Juca, do Uol.


Foi o cineasta João Moreira Salles quem arrematou, em novembro passado, a camisa com que Pelé disputou o primeiro tempo da final da Copa de 1970, contra a Itália, e com a qual marcou seu último gol pela Seleção Brasileira.

A revelação foi feita 60 minutos atrás na gravação do programa "Juca entrevista", que irá ao ar SÁBADO à noite na ESPN.
Como se recorda, a camisa pertencia a Zagallo que a leiloou em Londres e conseguiu R$ 220 mil pela peça.
A compra, então, foi atribuída "a um colecionador anônimo".
Hoje João Moreira Salles contou que foi ele quem arrematou a preciosidade "por achar muito triste a possibilidade de a camisa ficar fora do Brasil".

Ele vai doá-la provavelmente ao Museu do Futebol que está prestes a ser inaugurado no estádio do Pacaembu, em São Paulo, embora não afaste a idéia de doá-la a alguma instituição pública de sua cidade, o Rio de Janeiro.

A camisa só não está ainda no país por causa dos trâmites burocráticos para trazê-la de volta.

Por incrível que pareça, é possível que seja preciso pagar 200% sobre o lance vencedor como taxa alfandegária.

Mudanças embaladas - Aliança FC

E o primeiro torneio disputado foi no mesmo ano, com o Campeonato Goiano de Futebol Feminino Adulto, quando o time ficou com a 3ª posição. Esbanjando ânimo, o clube foi registrado na Federação Goiana de Futsal, em 1992, assim como foi criado o departamento de caratê-do tradicional.

Foi a época de mudança. Na verdade, era nada mais que o cumprimento do antigo estatuto, elaborado na época de Chefire e sua turma. Mas os rumos se alteraram depois que a esposa de Luiz, Patrícia, assumiu o comando do clube. Eleita em 1994, ela foi a primeira mulher a assumir um clube de futebol em Goiás e chegou para dar uma nova identidade ao Aliança. Em outubro de 1995, o estatuto foi alterado e ao amarelo e preto passou a ser a cor oficial, com a primeira camisa listrada verticalmente, calções pretos e meias pretas. Na camisa reserva, a principal cor era o amarelo, com detalhes pretos. O calção passou a ser amarelo, assim como os meiões.

A sede também mudou. Da Vila Abajá, a central do clube foi para a Rua Antônio Accioly, onde fica o estádio do Atlético, que é cercado por outras duas vias. O novo local não era desconhecido e tratava-se de um quarto, na casa da mãe de Patrícia. Depois que ela se casou com Luiz Cezar, o cômodo ficou desocupado. Com uma simples reforma, uma porta foi virada para o quintal e passou a receber o escritório do Aliança.

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Há 18 anos - Aliança FC

A história de Luiz começou em 1990, quando ele assumiu a presidência. A principal tarefa era reorganizar o clube e seu principal esporte, o futebol, que desde 1983 tinha pendências na Federação Goiana de Futebol (FGF), como registro de estatuto e de diretoria. Com tanta dificuldade, o time ficou mais de um ano sem participar e acabou desfiliado da entidade.

Sete anos depois, numa reunião que teve ata redigida à mão, Luiz Cezar foi eleito o novo dirigente. Seu mandato durou até o final de 1991. Nesse período, o Aliança começou a traçar o caminho em direção aos gramados, que veio com a refiliação na FGF, autorizando a equipe a disputar os campeonatos amadores da federação.

E o primeiro torneio disputado foi no mesmo ano, com o Campeonato Goiano de Futebol Feminino Adulto, quando o time ficou com a 3ª posição. Esbanjando ânimo, o clube foi registrado na Federação Goiana de Futsal, em 1992, assim como foi criado o departamento de caratê-do tradicional.

sábado, 26 de julho de 2008

Sonho e realidade olímpicos


Neste mês o governo federal liberou R$ 85 milhões para tentar emplacar o Rio de Janeiro como sede das Olimpíadas de 2016. Como se não bastasse, o "esporte de alto rendimento" precisou de mais. E outros R$ 4,950 milhões saíram do cofre.

Essa nova verba vai para a Casa Brasil na China, uma estrutura que será montada para promover e divulgar a imagem do País para o mundo, ao custo total de R$ 10,450 milhões, sendo R$ 2 milhões do Comitê Olímpico Brasileiro e o restante do governo.

Em 20 dias, a casa de Beijing vai receber a visitinha de medalhistas brasileiros, além de destacar produtos e serviços e outras atrações. Para o ministro do esporte, "a Casa Brasil aproveitará a oportunidade para mostrar ao mundo por que queremos e podemos sediar a Olimpíada de 2016."

Ao todo, em menos de um mês já se gastou R$ 89,95 milhões para se planejar um sonho. Nada contra projetos e idéias, mas coisas concretas também merecem atenção.

É o caso do Centro de Excelência do Esporte, em Goiânia. A obra foi autorizada em 2001, com orçamento de R$ 16 milhões, sendo 90% do governo federal e o restante do Estado. A previsão era de que em 2003 a obra fosse concluída e que o complexo, com ginásio, estádio, laboratório de capacitação e parque aquático, preparasse atletas para as Olimpíadas de Atenas.

O tempo passou e sete anos depois, como mostrou o jornal O Popular, a obra precisa de R$ 40 a 50 milhões para acabar com o monte de terra que espalha poeira na vizinhança do Centro de Goiânia.

Pode parecer simplista, mas para receber Jogos Olimpícos é preciso ter mais que locais de provas novos e modernos. É preciso ter estrutura, base sólida. E isso se conquista por capacitação, investimento de longo prazo. Algo como um centro de excelência concreto.

Mas o governo quer sonhar. Nada contra. Mas porque não vislumbrar e realizar a obra em Goiânia, que atenderia aos atletas de todo o País? Com R$ 89,95 milhões seria possível terminar a obra e ainda sobraria um "troco" para a Casa Brasil e os "estudos e planejamentos olímpicos".

Vale a pena lembrar que o custo inicial era de R$ 16 milhões. Só que "o tempo foi passando e o material foi ficando cada vez mais caro", explicou o diretor de obras civis da Agência Goiana de Transporte e Obras Públicas (Agetop), Luiz Antônio de Paula.

Pena que isso mão é culpa só da inflação.

PS: Quem quiser conferir a área, clique no Google Maps

Foto: Cristiano Borges/Jornal O Popular

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Esporte maquiado


"Nós queremos direitos humanos, não Olimpíada".

Essa foi a frase de Yang Chunlin , um ativista chinês que é de uma organização de camponeses que perderam suas terras e não receberam compensação adequada. Ele foi preso e condenado a 5 anos de prisão por "incitar a subversão do poder do Estado".

Quem relata essas e outras histórias da china é a repórter Cláudia Trevisan, da Agência Estado, que está em Pequim.

No texto, ela conta que na hora de fazer o "marketing" (palavra ingrata que mascara muita coisa), para se candidatar a receber os Jogos, o governo chinês alegou que o evento ajudaria a melhorar a situação dos direitos humanos no país, além de promover seu desenvolvimento econômico e social.

A China tem sido vista como uma potência, capaz de realizar a maior Olimpíada da história.

Mas sob qual aspecto? Eu diria que pelo do consumo, que se vale do marketing e da propaganda para vender seus produtos. Por isso, alguns "atletas" estão nos jogos como vitrine viva de tênis, camisas, bolas, maiôs, óculos, comida fast-food e até cerveja.

Afinal, nada melhor do que uma imagem de vitória para que propagar a imagem de sucesso. Com o mundo todo assistindo então, nem se fala.

E nesse enredo, a verdadeira condição humana acaba esquecida.

Os Jogos passam. As pessoas ficam.

E os que permanecem têm que lidar com a verdadeira realidade. Como Chen Guangcheng, que segundo a matéria de Cláudia é cego, foi condenado a 4 anos e 3 meses de prisão depois de denunciar a realização de milhares de abortos e esterilizações forçados na China, que exerce um forte controle de natalidade. Isso que ainda tem a questão do Tibet.

E você pode até pensar que isso não acontece conosco ou que nós nada temos a ver com isso.

Mas basta lembrar que a Copa de 1978, na Argentina, foi uma prova de maquiagem pelo esporte, como mostrou Xico Malta em seu texto no Blog do Birner.

Os tempos são outros. Mas a maquiagem sempre muda de acordo com a "moda".

E tem gente que quer Copa do Mundo no Brasil. Sinceramente: com tanta prioridade pela frente, esse é um luxo para o qual o País, não está pronto.

Imagem: Reporters sans frontières

A origem dos registros - Aliança FC

Essa história pôde ser contada graças aos registros do clube que foram preservados. Encadernados em um livro preto com letras douradas que informam que ai estão informações do Aliança, os dados vitais do Galo da Abajá ficam dentro de um armário de escritório cinza, recheado de outros documentos e com várias fitas e alguns DVDs em cima. Esse arquivo é sistematicamente organizado por Luiz Cezar Ferreira da Rocha. Ele e a mulher, Patrícia Aparecida de Menezes, construíram a casa nova há cerca de oito anos. Pintado de vermelho, um pouco pela paixão de Luiz pelo Atlético, e dela pelo Vila Nova, o grande sobrado, localizado no setor Gentil Meirelles, numa região onde o vento corre com facilidade, abriga também as três filhas do casal e o escritório do Aliança.

Ao lado da cozinha, a porta do espaço fica de frente para a mesa de refeições. Mas ao cruzar o portal, a impressão que se tem é de entrar em uma miniatura da sede do clube. Lá dentro só não há grama, mas a estrutura é abraçada por paredes amarelas, que simbolizam a nova cor do Aliança, que tomou o espaço do branco. “É para não ficar igual ao Goiânia”, explica o sorridente Luiz Cezar, ao lembrar do outro Galo, que hoje é o maior rival do time no futebol feminino. Nesse ambiente, ele guarda tudo, numa obsessão por ter tudo organizado.

Atrás do computador, perfeitamente organizados, estão os troféus etiquetados e algumas medalhas conquistados pelo time. Atualmente, entre torneios de futebol de campo e salão, estão 107 taças de campeão e vice, que ficam dentro de uma vitrine já lotada. Por isso, alguns prêmios estão fora do espaço, o que deixa Luiz Cezar inquieto. “Preciso arrumar as prateleiras para guardar todos logo”, justifica o presidente e técnico do Aliança, que está no clube há quase 18 anos.

Túlio e a piada de mau gosto

O atacante Túlio Maravilha é tido como uma das figuras mais irreverentes do futebol.

Falastrão, ele costuma usar seu carisma para o folclore do esporte. Mas aos 39 anos, sua mania de exposição parece ter ultrapassado o objetivo de chegar aos mil gols.

Na última quarta-feira, ele lançou sua candidatura a vereador em Goiânia. Ele pretende concorrer pelo PMDB, mesmo partido do atual prefeito, Iris Rezende.

Lendo uma notícia dessas, sinto que a política tem sido tratada como uma folia, que recebe qualquer um que tenha notoriedade. No caso de Túlio, ele se considera "um patrimônio do Estado de Goiás, e não de um time".

O jogador, que já passou por 21 clubes, pode até convencer os que gostam dele. Mas o eleitor não pode cair na lorota do atacante. Ele e o time do Vila Nova mal têm dado conta de colocar o clube entre os quatro que subirão à Série A em 2009.

Por isso pergunto: será que ele, com rotina de concentração e jogos, conseguirá ser um bom vereador?

O máximo que se poderia esperar dele é uma ou outra proposta para o esporte.

No mais, o suplente seria o homem por trás de Túlio, que o garantiria em uma Câmara que já não tem tanta transparência e credibilidade. Basta conferir o site do Projeto Excelências, da Transparência Brasil, para pegar uma avaliação do legislativo de Goiânia.

Por isso faço um apelo ao torcedor, especialmente o do Vila Nova. Vote em quem tem competência e não eleja um atacante falastrão. Afinal, ele passa, sai do clube. O Goiás sabe bem disso.

O voto, no entanto, decide o futuro da cidade.

Em tempo, os links com as notícias por jornais e sites a fora.
O Globo, Estadão e Uol